Dilson Lages Monteiro Quarta-feira, 22 de outubro de 2014
POIESIS - ROSIDELMA FRAGA
Rosidelma Fraga
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CORSINO FORTES: UM POETA DA TERRA QUE NASCEU PARA AMAR E SER AMADO

CORSINO FORTES: UM POETA DA TERRA QUE NASCEU PARA AMAR E SER AMADO

 

   
Corsino Fortes é um poeta da terra que nasceu para amar e ser amado. O autor nasceu em Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde, em 1933, construiu uma poética com uma carga imagética que aflora tanto a memória lírica, individual, quanto à memória épica, coletiva, no que tange ao sentimento do poeta sobre a nação. De sua produção, verifica-se que, até meados da década de 1960, ele havia publicado apenas algumas poesias no jornal do 3º Ciclo Liceal (1957), bem como no Boletim de Cabo Verde, no último volume da revista Claridade e na Antologia da moderna poesia cabo-verdiana. Somente em 1974 Corsino Fortes teve seu primeiro livro publicado, com o título de Pão e fonema. O livro divide-se em prólogo e em três cantos. O primeiro canto intitula-se “Tchon de pove tchon de pedra”, numa língua crioula, o segundo, “Mar & Matrimônio” e o terceiro, “Pão e Patrimônio”, todos com um conjunto de quinze poemas, formando a obra inteira, portanto, 45 poemas longos.
José Francisco Costa (2006) explica que a obra Pão e fonema é o alargamento de uma metáfora que se inicia com o título: “O povo tomou conta da sua terra (o Pão) e do seu destino (a fala que dá nome às coisas, que indica posse)”, salientando que, nesta obra:
  
... [a] utilização do crioulo em muitos poemas é intencional, uma vez que fala, anterior à escrita, é o grande sinal da liberdade que se tornou patrimônio, tal como a terra. Daqui o subtítulo do canto primeiro – Tchon de Pove Tchon de Pedra; daqui também os subtítulos de outros dois cantos – Mar & Matrimónio e Pão & Matrimónio.(COSTA, 2006).
  
Posteriormente, Corsino Fortes publicou Árvore e tambor, em 1986, apresentando marcas de convergências com a poesia de João Cabral de Melo Neto no que tange à oralidade de Morte e vida severina. A poesia do cabo-verdiano se traduz por como uma “épica fundacional”, conforme explicita Ana Mafalta Leite (2001), ao descortinar a poética de Corsino Fortes no posfácio de A cabeça calva de Deus. Esta segunda obra do poeta – Árvore e tambor – divide-se em cinco cantos, com proposição e prólogo no começo e fim do livro. O primeiro chama-se “De manhã! Os tambores amam a chama de palavra mão”; o segundo, “Hoje chovia a chuva que não chove”, o terceiro, “O pescador o peixe e sua península” – dividido ao meio com “Onde mora a mão e a viola do artesão” –, o quarto, “Odes de Corsa de David”, e o último, o quinto, “Tal espaço & tempo”.
Em 2001, Corsino Fortes escreveu Pedras de sol & substância, que é uma das obras centrais de comparação com os dois poetas brasileiros que constituem o objeto de pesquisa. Atualmente, essas três obras estão reunidas na trilogia A cabeça calva de Deus (2001). A obra de Corsino Fortes está editada em antologias em língua portuguesa, inglesa, francesa, italiana, holandesa, dentre outros idiomas.
Pedras de sol & substância divide-se em três cantos, antecedendo-lhe, na apresentação, o “Oráculo”, uma espécie de intróito ou prelúdio de peças musicais como as de Mozart, Beethoven e outros. O primeiro canto é intitulado “Sol & substância”; o segundo, “Vulcão e vinho do próximo verão”, subdividido em: “1. Litografias para as festas de São Felipe” e “2. Gosto de ser a palavra na prosa de Aurélio Gonçalves”; o terceiro, “Do deserto das pedras à deserção da pobreza”.
Falar da lírica de Corsino Fortes implica antes tratar da integração regional do arquipélago de Cabo Verde, localizado na África Ocidental, escolhendo-se o texto Estado Nação e os desafios da integração regional: o caso de Cabo Verde, do geógrafo José Maria Semedo (2008, p. 1), que destaca:
 
Cabo Verde vem enfrentando os grandes constrangimentos de territórios insulares que ascenderam à independência: os custos da insularidade, a descontinuidade territorial, a carência de recursos naturais básicos como a água, o solo, a biodiversidade, os minérios, a reduzida capacidade de carga territorial.
 
Apesar das dificuldades ecológicas e da forte presença da seca, durante décadas, Cabo Verde “conseguiu traçar um quadro suficiente para a sua elevação à categoria de Estado de desenvolvimento médio e transformar-se num foco de acolhimento de migrantes provenientes da vizinha costa ocidental africana” (SEMEDO, 2008, p. 3). Trata-se de uma nação de diáspora, com um alto percentual de descendentes em terras alheias, em universos linguísticos e econômicos diversos, que “mantém uma expressiva continuidade cultural como elemento de identificação e canal de difusão da crioulidade num mundo em globalização e forte ligação à terra de origem”.
É desse crioulo que, muitas vezes, o poeta Corsino Fortes se utiliza, sobretudo com a preocupação de difundir os aspectos das ilhas, de demarcar os castigos da seca, da fome e da miséria. E o faz sob a ótica da poesia épica que se renova na celebração da identidade insular e se mostra no processo de libertação da opressão, diante do fato de o cabo-verdiano pretender libertar seu país, não querer sair de lá. Mais precisamente, a identidade insular se vê no universo de antipasárgada, da luta pela independência, como é o caso da primeira obra da literatura cabo-verdiana, O galo cantou na baía, do escritor Manuel Lopes (1936).
Sobre esse caráter épico da poesia de Corsino Fortes, Maria Turano (1997, p. 485) afirma que há uma renovação no seu fazer poético, uma vez que o sujeito lírico “reformula, refunda e celebra em termos épicos e míticos a própria identidade, concebendo-a em formas sacras e simbólicas”.  Na poesia de Corsino Fortes, a identidade insular é expressa em dois níveis. No primeiro, pela representação da vida material, em que a ilha “se encontra num triângulo cujos outros dois ângulos são constituídos pela chuva. A ilha é atravessada pela terra seca”, assim como o Capibaribe em Cabral é atravessado pela secura do “cão sem plumas”, sem pele, sem ornamentos e sem vida. No segundo nível, a ilha é expressa pela condição existencial.
Corsino Fortes sofreu intervenção poética dos claridosos[1] no que se refere, sobretudo, ao canto da terra de Cabo Verde, mas com uma grande inovação da apresentação temática dos poetas de Cabo Verde, no período de 1962 a 1974, que aperfeiçoaram o evasionismo e o terralongismo. Arnaldo França (1997), no artigo intitulado “A literatura cabo-verdiana no contexto das literaturas africanas de língua portuguesa”, explica que o movimento claridoso teve seu berço na ilha de barlaventista de São Vicente, muito cantada na poesia de Corsino Fortes.
Cronologicamente, Corsino Fortes participou dos diversos momentos históricos do país. Para situá-lo no período literário, é imprescindível que se atente para algumas contextualizações sobre Cabo Verde. Os escritores cabo-verdianos, tanto em prosa como em poesia, tinham essa preocupação de denunciar essa realidade social. No período colonial, a literatura passou a servir de lugar para conscientização, uma vez que na arte literária de Cabo Verde a estiagem e as consequências advindas dela corroboraram para a proliferação da pobreza e da desolação da paisagem. Problemas como a fome, a miséria, a terra, o povo e a nação, dentre outros males, tornaram-se conteúdos temáticos na literatura cabo-verdiana.
Discorrendo sobre o diálogo que os poetas de Cabo Verde estabelecem com a lírica moderna brasileira, no artigo “Brasil: um país beijado pela brisa da poesia cabo-verdiana”, Alberico Carneiro (2005) garantiu que:
 
[...] embora o crioulo cabo-verdiano (dialeto do Português) seja falado pela totalidade da população, como unidade linguística de Cabo Verde, os escritores cabo-verdianos, a partir da década de 1930, se expressam e significam em Língua Portuguesa e, ao articularem este idioma (que é também um dialeto do português de Portugal), fazem com que seus textos dialoguem com os textos de escritores brasileiros, com os quais, por várias referências, se identificam [...].
 
Conforme Carneiro (2005), vários escritores de literatura cabo-verdiana dialogaram com a literatura brasileira, mais ou menos por volta de 1930, e se estenderam até a década de 1970. Esses escritores são os seguintes: José Vicente Lopes, Osvaldo Alcântara, João Batista Rodrigues, Valdemar Valentino, Ovídio Martins, Daniel Euricles Rodrigues Spíndola, Mário Fonseca, Jorge Barbosa e Corsino Fortes. Tais poetas viram no Brasil, além do elemento de paródia com os textos de Drummond, Manuel Bandeira e outros, as marcas e/ou laços de duas terras que se unem. Para Santilli (1994), esses poetas brasileiros, junto com Castro Alves, são fontes de paródia para muitos poetas de literatura africana de língua oficial.
Para Benjamin Abdala Júnior (2003, p. 123), existem “afinidades entre os portugueses, africanos das ex-colônias e brasileiros, desde os modernistas, como Manuel Bandeira e Jorge de Lima, até os chamados regionalistas do Nordeste, como Jorge Amado, Graciliano Ramos e José Lins do Rego”. Segundo Gilberto Freyre (apud ABDALA JR., 2003, p. 121), a linguagem de autores como José Lins do Rego, Manuel Bandeira, Érico Veríssimo, dentre outros, recebeu vários imitadores entre os jovens de Cabo Verde.
Sob esse prisma, Corsino Fortes cria uma poesia que simboliza a esperança e o sonho demarcado pelo paraíso de Pasárgada, da mesma forma que canta Manuel Bandeira. Sua poesia surge como uma nova esperança para o país. Não é apenas uma poesia que denuncia a barbaridade da seca, mas de nova roupagem acerca da exaltação dos valores positivos que a pátria possui. O pão é a esperança e também o símbolo que sacia a fome e rompe com a miséria. O pão é fonema, é mar, é também matrimônio e patrimônio. Pão é metaforicamente a própria palavra, um anúncio ao povo cabo-verdiano, como se comprova nos versos iniciais de Pão e fonema:
Um pilão fala
Árvores de fruto
Ao meio dia
E tambores erguem
Na colina
Um coração de terra batida
 
E longe
Do marulho à viola fria
Reconheço o bemol
Da mão doméstica
Que solfeja
 
Mar & monção mar & matrimônio
Pão pedra palmo de terra
Pão & patrimônio.
(FORTES, 1974, p. 17).                                                  
 
 
Na perspectiva do neorrealismo e do colonialismo, nota-se que os escritores se preocupavam em retratar a face de pobreza e miséria, ocasionada pela estiagem ou pela seca, vinda do deserto Saara. Corsino Fortes mostra-se comprometido com esses temas em Pão e Fonema e trabalha a palavra como símbolo de nascimento, vida e esperança, como uma nova face da identidade nacional de Cabo Verde, de modo que a pátria cantada na poesia de Corsino Fortes se configure como um dos temas. O poeta faz da palavra alimento que sacia a fome do povo cabo-verdiano. A aurora da palavra poética fortiana nasce como símbolo de esperança diante da escuridão social do país. O poeta celebra um novo alvorecer em tom de aplauso e contentamento, como nos versos do poema “Quando a manhã amanhecer”:
 
 
Oh! Quando
Oh! Quando a manhã amanhecer
Quando a noite for mais noite
[...] E a terra no coração
Quando o sangue romper do corpo
Numas árvores de braços abertos
E a semente gritar da rocha
Tambor de boca verde
Na boca do povo
E o mar bem alto! Bravo!
(PF, 1974, p. 89).
 
Há a marca de uma poesia engajada na lírica de Corsino Fortes, mas o poeta solfeja as notas de uma poesia do povo cabo-verdiano que “grita da rocha”, “da pedra”, “do labor escravo”, que busca um canto esperançoso através do “tambor de boca verde” aplaudido pelo próprio mar na voz do povo. Como, então, refletir sobre a lírica de Corsino Fortes diante da contextualização histórica dos períodos que demarcaram a poesia social de Cabo Verde? Para essa resposta, algumas marcas da História, sob uma perspectiva intertextual, são importantes, uma vez que, como argumenta Kristeva (1971), a literatura busca verificar como o texto relê a história e nela se insere.
Ademais, conforme Kenneth Maxuell[2] (1996), a política colonialista portuguesa nos países africanos consistia na repressão da classe trabalhadora desde o século XV, o que perdurou até o século XIX. O trabalho “escravo” era demasiadamente desumano. No século XX, ocorre uma metamorfose em forma de acordo. Isso porque, na verdade, o cabo-verdiano era contratado em Guiné Bissau e lá tinha uma vida massacrada, como escravos, nas lavouras de cacau e café. Daí por que o cabo-verdiano ora quer sair de seu país, ora almeja ficar. Para o pesquisador Augusto Nascimento (2007), no livro O fim do caminhu longi, o “trabalho escravo” deve ser entendido como a falta de alternativas do cabo-verdiano, que “se via obrigado a dar o nome no contrato e alistar temporariamente para o labor semi-escravo das famigeradas roças para não morrer de inanição, endêmica no arquipélago da fome que era Cabo Verde”. A opção dos cabo-verdianos pelo contrato para São Tomé e Príncipe era voluntária. Nascimento (2007) explica o fenômeno:
 
[...] o retorno a S. Tomé para o cumprimento de novos contratos ou a permanência nesse território mesmo depois de findos os tempos da contratação, os quais, como sabido, perfaziam um período assaz limitado, muitas vezes [era] determinado pela duração das secas cíclicas em Cabo Verde. (NASCIMENTO, 2007, p. 6).
 
 
A opção pelo contrato também deve ser vista como algo ligado ao espírito de aventura, pois “os serviçais caboverdianos eram muito propensos ao encantamento com a paradisíaca exuberância do verde e das águas”. E ainda ao “contato com a paisagem das ilhas equatoriais, levando à coação extra-económica, típica e característica do trabalho servil e semi-escravo das economias coloniais e semi-coloniais de plantação”, ressalta Nascimento (2007, p. 7).
Em decorrência de situações climáticas, geográficas e sociais, o ilhéu castigado, na poesia de Corsino Fortes, passou a ser tratado de várias formas. Uma delas é na perspectiva da ausência, cujo sofrimento pode ser notado em versos como estes: “o umbigo da ilha/pergunta/sol a sol/ Por tal regato que era ao ‘se’/ da sua secura que sobrou” (p. 191). A ilha do poeta surge também como marcas do sonho vestido de imagem personificada, num contexto de esperança e sonho: ”quando a ilha sonha/ E a chuva invade o sono das crianças”. Ao instaurar-se uma imagem de nova aurora, surgem novas expectativas, do nascer, do florescer, através do sonho e da chuva após o sonho, não no sentido proposto por Gaston Bachelard (1996), no que tange à poética do devaneio, mas o sonho como símbolo da esperança do povo cabo-verdiano, que busca na chuva o alimento.
Após essa contextualização do poeta Corsino Fortes no que diz respeito a sua temática, estilo, características e fontes de dialogia, convém situá-lo no contexto histórico-literário da lírica cabo-verdiana, o que exige discorrer sobre os períodos que marcaram essa poesia. O período Claridoso, representado pela revista Claridade,[3] foi importantíssimo para a produção artística em Cabo Verde. Isso porque, segundo os temas que os autores abordavam, tinha como objetivo conscientizar o povo sobre a problemática do arquipélago, como a seca e suas consequências, o que também ocorria na região do Nordeste do Brasil. A lírica de Cabo Verde passa pelos três períodos – Pré-claridosos, Claridosos e Pós-claridosos –, conforme a divisão histórica da literatura produzida no país Cabo Verde. Desse modo, a revista Claridade pode ser tomada como importante referencial para situar o poeta Corsino Fortes no contexto histórico da poesia cabo-verdiana e apontar suas implicações estéticas. Isso porque, com o acirramento da luta pela independência política do arquipélago, o evasionismo foi tomado como uma fraqueza de resignação dos integrantes da Claridade, como explica Julio César Machado de Paula (2005, p. 75), no texto “O mito de Pasárgada em Cabo Verde”:
 
A postura crítica que tais autores demonstraram com relação aos claridosos e, naturalmente, aos seus valores e ideais literários, fez com que viessem à luz poemas, ensaios e manifestos contrários aos que se considerou, então, uma literatura evasiva, do evasionismo ou, ainda, pasargadista. Esboçado na revista Certeza, de cunho neo-realista, o repúdio utópico dos claridosos e, conseqüentemente, ao mito de Pasárgada, ganharia corpo com o Suplemento Cultural (1955) e com Sèló (1966), atingindo seu ponto máximo no acalorado manifesto “Consciencialização na Literatura Caboverdiana”, de Onésimo Silveira. Após duras críticas ao evasionismo e ao grupo inicial de Claridade, define-se sua geração pela seguinte máxima, grafada em letras maiúsculas: “ESTA É A GERAÇÃO QUE NÃO VAI PARA PASÁRGADA”. (PAULA, 2005, p. 75, grifos no original).
 
A geração da Claridade foi a que se responsabilizou pelo lançamento dos alicerces da nova poesia, que depois é continuada pelos escritores que colaboram em outras duas publicações, como Certeza (1944) e Suplemento Cultural (1958). A geração da Claridade possibilitou o aumento de influência de grande parte da produção poética e ficcionista de Cabo Verde. E, segundo José Francisco Costa (2006), Corsino Fortes é um dos importantes poetas desse período:
 
O salto qualitativo e a ruptura com a influência dos claridosos devem-se a dois escritores que chegaram a participar na revista Claridade. Estou a referir-me a João Varela (aliás João Vário, aliás Timótio Tio Tiofe), que publicou, em 1975, O primeiro livro de Notcha, e Corsino Fortes, autor de dois importantes trabalhos poéticos, Pão e Fonema (1975) e Árvore e Tambor (1985). É, sobretudo, Corsino Fortes que provoca o maior desvio de conteúdo temático e formal. O livro Pão e Fonema deixa perceber a intenção do autor em reescrever a história do povo em termos de epopéia. O livro abre com uma Proposição que constitui, por si só, uma demarcação da poesia de tipo estático dos claridosos. (Sem grifos no original).
 
A importância dos Claridosos deve-se também ao engajamento social do grupo e ao seu desenvolvimento estético. Esse foi o movimento que mais marcou a literatura cabo-verdiana. Já os Pós-claridosos “culpavam a literatura dos Claridosos de expor os aspectos trágicos da realidade de Cabo Verde sem, contudo, apontar os responsáveis por eles [...]”, conforme ressaltou Kellen Gonçalves (2007, p.8), no texto  A literatura no processo de criação da identidade nacional de Cabo Verde. É nesse contexto social, de repressão e tragédia, que grande parte da ficção, tanto na poesia quanto na narrativa, irá se concentrar. Trata-se, por conseguinte, na visão de Gonçalves (2007, p. 9) “de um aspecto importante dessa literatura não só em Cabo Verde como também no Brasil e em Portugal que viveram momentos de represália”.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a poesia de Corsino Fortes concebe a terra como marca de uma identidade nacional, demarcando a face da exploração do trabalho, da fome, como indícios de uma poesia de engajamento social dos Claridosos. Não obstante, surge como uma renovação na lírica de Cabo Verde, em virtude de trazer à ilha uma expectativa de nova aurora. Na poesia de Corsino Fortes, Cabo Verde é banhado pela beleza e pela superação da fome e da miséria abordadas por Manuel Lopes em Os flagelados do vento leste. O sujeito lírico retrata essa mudança que se vê nos seguintes versos:
Já não somos
Os flagelados do vento leste
Que de fome não morra jamais
A ação escreve o pensamento
Deste cabo
Deste teatro
verde de vida.
(FORTES, 1974, p. 203; sem grifos no original).
 
Com a poesia de Corsino Fortes, introduz-se “uma importante reformulação na linha temática cabo-verdiana, não só pela insistência no antievasionismo, dando lugar à procura de Pasárgada no interior do arquipélago”, conforme elucida Ana Mafalda Leite (2001, p. 299) no Posfácio de A cabeça calva de Deus. Em outras palavras, a poesia fortiana “abandona” a temática dos flagelados retratados na prosa de Manuel Lopes e pinta uma tela poética visual como uma encenação da vida, tendo em vista o Arquipélago como um “teatro verde de vida”. O canto que se ouve é o seguinte: “Já não somos os flagelados do vento leste”. O canto metaforiza-se com uma ação positiva da memória coletiva na representação do povo cabo-verdiano. Efetivamente, o homem cabo-verdiano, preocupado com a luta e comprometido com a busca pela libertação do próprio país, torna-se um grande motivo de canto na obra de Corsino Fortes, porque evidencia também traços de um antievasionismo:
 
Emigrante
 
Vai E planta
na boca d'Amilcar morto
Este punhado de agrião
 E solver golo a golo
uma fonética de frescura 
E com as vírgulas da rua
 com as sílabas de porta em porta
Varrerás antes da noite
Os caminhos que vão
 até às escolas nocturnas
Que toda a partida é alfabeto que nasce 
todo o regresso é nação que soletra.
(FORTES, 1974, p. 40).
                                                 
Como se nota, o poeta Corsino Fortes dirige-se ao homem cabo-verdiano no universo insular por intermédio da imperatividade do verbo, no verso: “Vai e Planta”. A partir do verbo “solver” instaura-se a liberdade pelo fato de esta só ser possível graças à luta do cabo-verdiano em face da terra. Em outras palavras, a escolha simbólica do agrião não é por acaso. Assim como o agrião nasce espontaneamente da terra, essa libertação do homem cabo-verdiano deve partir da luta significativa em Almíscar (citado no poema). Ora, Amílcar Cabral é citado recorrentemente na obra de Corsino Fortes e de outros poetas de Cabo Verde, pois se trata de um dos líderes africanos que deixou contribuições teóricas acerca do anticolonialismo, em virtude de um “socialismo africano”.[4]
De forma inaugural, a poesia de Corsino Fortes funda-se por meio de um um surrealismo, mas com um fundo de erotismo e denúncia social por meio da nudez[5] do homem, mas uma nudez que simboliza a ausência de alimento, de água e de busca pela sobrevivência. Trata-se de uma veia erótica que pode ser lida nos versos do poema “Meio dia”, de Pão e fonema – “A nudez do ombro/pelo cereal dos dias” –, ou ainda no poema “De pé nu sobre o pão da manhã” (v. 1-3, 20-28):                                                                             
 
Desde a manhã os pés
Estão nus ao redor da ilha
Nus de árvore nus de tambor
[...]
À boca do povoado
Ao vento gordo sabor a fiambre hálito
De pão novo
À beira-mar erguemos as nossas costelas
À promessa pública do mar E
À beira-mar navegamos
Com mãos menos mãos
Com pés menos pés
De proteínas
(FORTES, 1974, p. 44).
 
A poesia de Corsino Fortes demonstra, entre tantas características, essa veia erótica que simboliza ausência, súplica, vazio, esperança e labor nas ilhas cabo-verdianas. Em alguns poemas, é curioso notar a presença do vento que ora é benéfico, ora prejudicial em Cabo Verde[6]. Há momentos em que o cabo-verdiano quer partir e outros em que prefere ficar. Carmem Lúcia Tindó Ribeiro Secco (2004) menciona que os autores de Cabo Verde repensam a dialética da partida e da permanência porque questionam o sofrimento das mulheres e crianças que trabalham no arquipélago e discutem acerca da “importância da chuva para o ressequido universo das secas que assolam periodicamente o Arquipélago” (SECCO, 2004, p. 223). Essa dialética de partir e ficar reside no poema de Árvore & tambor, a segunda obra de Corsino Fortes:
 
Nova Largada
 
Oh ídolo de pouca terra
De coração a bombordo
Naquela homilia /
De terra & sangue /
Em transfusão /
O peito já louco de marulho
De coração a bombordo
(FORTES, 1986, p. 27).  
 
Em “Nova Largada”, percebe-se a possibilidade implícita de o sujeito encontrar o paraíso por meio da visão mítica de Pasárgada que ocorre dentro do universo da ilha. No conflito encontrado nos versos, “O peito já louco de marulho / de coração a bombordo” se emerge diante das possibilidades de permanência e partida. Corsino Fortes produz uma poesia nostálgica e social, instaurando o espaço do imaginário visto pelo evasionismo[7] e pelo sonho.Em outras palavras, o fato de o cabo-verdiano oscilar entre a partida e a permanência em Cabo Verde se explica pelos momentos de Pasárgada e de anti-Pasárgada. Ora, Corsino Fortes, entre outros poetas, dialogando com o tema de Pasárgada de Manuel Bandeira, explicita o sonho do paraíso, demarcado pela fuga (evasionismo), mas também não deixa de pensar no retorno, na resistência, na luta e no desejo de permanecer e lutar pela independência de seu país, mormente, pela sua identidade. Esses temas pasargadistas ou antipasargadistas não podem ser esquecidos quando se refere à literatura de Cabo Verde.
O universo mítico de Pasárgada é defendido por Maria Aparecida Santilli (1994) como uma rota feita pela literatura cabo-verdiana que se realiza não somente pela ideia de evasão (do ir embora), mas também pela recusa, isto é, pela antievasão. A autora afirma que a retomada de Pasárgada foi ilustrada pelos poetas da Távola Redonda,[8] onde figuravam vários poetas que se inspiraram direta ou indiretamente no poema de Manuel Bandeira com a ideia de sonho com a independência nacional. Trata-se de poetas que contestavam os ideários fechados do neorrealismo, defendendo um espaço plural e livre. Eles acreditavam que “a poesia era e é uma távola redonda, com pão e vinho para todo povo” (SANTILLI, 1994, p. 118). Em consequência, nota-se, pelas características, uma semelhança com os ideais cultivados por Corsino Fortes em sua primeira obra.
Em Árvore e tambor, o poeta evoca os elementos genesíacos sol e semente, trabalhando com a imagem e o símbolo do tambor com a força do ritmo, ao passo que, em Pedras de sol & substância, percebe-se a forte persistência da pedra, como pedra de identidade, páscoa de pedra, pedra rolada, pedra da memória e pedra do arquiteto. A partir de Pedras de sol & substância, a obra do poeta, reunida em único volume intitulado A trilogia de a cabeça calva de Deus, pode ser classificada como “duas águas”, já que o paraíso buscado nas obras anteriores parece ser encontrado com a libertação do povo cabo-verdiano e, sobretudo, na diferenciação do mineral contido nessa última obra, em que a pedra não é mais obstáculo e o sonho não é símbolo de nostalgia. O ilhéu não é explorado na imagem castigada pela seca como nas obras anteriores e água surge como símbolo de uma nova vida que se renova com o cabo-verdiano. Em Pedras de sol & substância, as pedras não são estáticas, são “pedras uterinas” que simbolizam nascimento, a relação entre mãe (língua) e falante (povo). Essas pedras são enfatizadas para designar não apenas o sentido concreto, mas também o abstrato, como se pode verificar nos versos “se perguntamos às pedras/ uterinas/ na boca das pedras: a pedagogia do marulho”. Em outras palavras, as pedras ensinam que é preciso retornar à origem para aprender. Esse aprendizado é depreendido pela própria criança (a língua em estado nascente na visão valéryana), associando-se à atribuição da palavra “pedagogia” em seu sentido amplo.
Mais do que falar de um poeta que ama seu povo e sua terra, é compartilhar com o leitor um de seus belíssimos poemas, “Páscoa de pedra”, com o qual esse texto se encerra:
 
 
Páscoa de Pedra
 
Assim! Nasço e vou
Nos pés das pedras que nos
perseguem
Nas mãos das pedras que nos interrompem
Deambulam perto
Os acrobatas da pedra Rolada
E a ruína das catedrais
E se perguntamos às pedras/uterinas
Na boca das pedras: a
pedagogia do marulho
Mas onde encontrar
No deserto da fala
a pedra sonora?
Mas onde? Onde encontrar
a pedra mãe!
A montante da infância
A jusante da velhice
A pedra cicatriz
A pedra da primeira memória
A pedra que foge
Da mão do engenheiro
do pé do arquiteto
E constrói no terraço da alma a ogiva
de uma salva de palma.
(FORTES, 2001, p. 16).
 
 
  
Texto de Rosidelma Fraga – postado em 07/06/2012.
 
 
Notas:
1-       Uma parte desse texto integra a obra Convergências e tessituras: Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto e Corsino Fortes, livro esgotado.
 
2-       As obras completas de Corsino Fortes podem ser lidas em A cabeça calva de Deus.Lisboa: Dom Quixote, 2001.
 
3-       Caso o leitor tenha interesse, pode ouvir o poeta Corsino Fortes declamando um de seus poemas, no Festival Internacional de Poesía de Medellín, disponível em: <http://www.youtube.com/watch?v=x-rzzom9bCU>
 
4-       Para maiores leituras sobre Cabo Verde, visite a página da Professora Doutora Simone Caputo Gomes, Amar Cabo Verde, disponível em: < http://www.simonecaputogomes.com>
 

5-       Fonte da foto: site Triplov.com
 

 


[1] A literatura de Cabo Verde teve como grande relevância o período claridoso, demarcado pela revista Claridade, cujos integrantes denunciaram a barbaridade da seca, a miséria, a fome e buscaram a independência de Cabo Verde e, por excelência, a sua identidade. Cronológica e socialmente, seria um período que se aproxima das produções de 1930 no Brasil no que se refere à região do Nordeste e à temática dessas obras. Corsino Fortes estaria inserido no período apenas pela temática e não pela época, uma vez que o poeta nasceu em 1933 e o último claridoso foi Manuel Lopes. Contudo, Corsino Fortes é considerado um continuador dos ideais do grupo de escritores da revista Claridade, que coincide com o terceiro momento do modernismo brasileiro.
[2] Sobre a política do colonialismo, sugerem-se as obras O império derrotado: revolução e democracia em Portugal, de Kenneth Maxuell (1996), e Cultura e imperalismo, de Edward Said (1996).
[3] De acordo com o Instituto Camões, do ponto de vista literário, a revista Claridade constitui-se como baliza da contemporaneidade estética e linguística, superando o conflito entre o “antigo” e o “moderno”, isto é, entre o Classicismo/Romantismo de referente português, dominante durante o século XIX, e o novo Realismo; “sensível às realidades do quotidiano do povo, no sentido de uma cada vez maior abrangência e representatividade da consciência geral da nação”. Disponível em <http://www.institutocamoes.pt.br>. Acesso em: 12 jan. 2009.
[4] Sobre Almíscar Cabral, registra-se que ele foi liberto dos modelos comunistas e tentou, por via pacífica, a concessão da independência. Somente o massacre de Pidjiguiti, em 3 de agosto de 1959, o levou a enveredar pela via armada (ver <http://www.ciberkiosk.pt/arquivo/ciberkiosk6/pagina1/corsinoele.htm>).
 
[5] Cf. Georges Bataille (1987), o sentido da nudez é objeto de um rito que comunica aos homens sua essencialidade, isto é, seu erotismo. A presença da nudez retoma a relação com o sagrado. Para o leitor encontrá-la no texto poético, ela deve se apresentar ao sujeito enquanto objeto sagrado. Neste caso, a roupa surge assim como o artifício que redimensiona a nossa relação com o nu. A nudez aparece na exposição do cabo-verdiano com os “ombros nus”, que “à beira-mar” ergue “as costelas” frente ao trabalho no arquipélago. Daí uma nudez que não só demarca o erotismo, mas simboliza a ausência e/ou carência de alimento ou demarca a fome.
[6] Cabo Verde é um país de origem vulcânica, constituído por dez ilhas e localizado na faixa costeira da África. O arquipélago Cabo Verde fica ao largo da costa da África Ocidental. As ilhas vulcânicas que o compõem são pequenas e montanhosas. Nove ilhas de Cabo Verde são habitadas, sendo que vários ilhéus são desabitados, e dividem-se em dois grupos: ilhas de Barlavento e ilhas de Sotavento. O primeiro grupo situa-se ao norte, com as ilhas Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista (habitadas) e Santa Luzia (desabitada). Há outros ilhéus desabitados desse grupo: ilhéu dos Pássaros, em frente à cidade de Mindelo, na ilha de São Vicente, os ilhéus Rabo de Junco, na costa da ilha do Sal, e os ilhéus de Sal Rei e do Baluarte, na costa da ilha de Boa Vista. Já o segundo grupo, o Sotavento, localiza-se ao sul, com as ilhas Maio, Santiago, Fogo e Brava. A ilha de Santa Maria fica em frente à cidade de Praia, na ilha de Santiago; as ilhas Grande, Rombo, Baixo, de Cima, do Rei, Luiz Carneiro e a ilha Sapado situam-se a cerca de oito quilômetros das ilhas Brava e Areia, junto à costa dessa última ilha. Sobre as ilhas africanas, uma obra importante é o Tratado breve dos rios de Guiné e Cabo Verde.
[7]Evasionismo: s.m. (lat evasione+ismo): ação ou tendência da obra que visa ao alheamento da realidade. Corsino Fortes se mostra comprometido com seu povo, uma vez que sua obra denuncia o sofrimento e o castigo ocasionados pela seca. De acordo com o geógrafo José Maria Semedo (2008), “Cabo Verde tem o quadro de ciclos de secas e uma escalada devastadora da desertificação, perda de importância na cena das grandes rotas, abandono pela metrópole, refúgio na emigração, que Cabo Verde conseguiu forjar uma nação com características próprias que a diferenciam das bases culturais de origem, tanto as européias como as africanas”. A busca pela sobrevivência, num universo insular e saheliano, teve forte influência na criação de uma estratégia comum de coabitação dos vários interesses em causa, traduzindo na gênese de uma nova cultura. As estratégias de continuidade e sobrevivência da cultura cabo-verdiana nas ilhas foram o resultado do contributo de todas as classes sociais em presença no arquipélago.
[8] Trata-se de uma revista portuguesa, com vinte fascículos, cujo principal objetivo era discutir e publicar poesia. Os números da revista foram publicados nos anos de 1950 a 1954. Exatamente no número nove figuram os poetas que dialogaram com a poesia de Manuel Bandeira, como Couto Viana, Luiz de Macedo, David Mourão, Ovídio Martins, Osvaldo Alcântara, Baltasar Lopes. Desses últimos, sugere-se a leitura dos poemas: “Passaporte para Pasárgada”, “Saudade de Pasárgada”, “Balada dos companheiros para Pasárgada”, “Dos humildes é o reino de Pasárgada” e “Evangelho segundo o rei de Pasárgada”, reeditados por Osvaldo Alcântara (1986).
  

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