Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
PARADEIRO
Geovane Monteiro
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CARROSSEL

CARROSSEL

 

 

Vez ou outra, repetimos sons, cores, mas, surpreendentemente, não sabemos (ou sabemos demais) o porquê de haver novidade na insistência involuntária.

 

Nomes, gestos, objetos.... Temos certezas, duvidamos, provamos, confirmamos demais. Tanto que deixamos de entender o que é fácil. Assim continuamos a repetir, estacando até nos banharmos de nossas crenças mais abstratas, de nossa vida voando trancada.

Um amigo que partiu um dia me disse... Eu esqueci! Mas sei que ele disse e isso é o que me atualiza. Mas atualiza o quê? O importante agora é não saber que não sei para evitar a solidão. Devo repetir: “Eu amo, tu amas, ele ama...” Seremos forasteiros de nós mesmos?

 

Vamos repetir as coisas até decorarmos. A vida só deve valer à pena se estivermos prontos para não sabermos o quê. Se soubéssemos não teria graça a surpresa. De nada valeria repetir.

 

Por exemplo: vou escrever agora que algumas pessoas estão me lendo. Vão acusar-me de piegas ou de vaidoso; Talvez nem me acusar de alguma coisa vão. Quem me ler eventualmente estará repetindo seu ser diário. Estará acusando-se incessantemente, porque o esquema da leitura é apenas para dar a sensação de mais uma jornada. Menos que isso: eu sou alguém que escreve, como a que dizer: “Estou em transe, a vida é. Apenas é”. Apenas é. Apenas é. Apenas é...

 

Apenas é a vida. Devo dizer que estou cansado de esperar um texto meu numa publicação. A espera me cansa tanto que nem valerá à pena vê-lo em alguma edição. Mas quero estar em mim e esta ocupação há de ser a correria do dia. Estou cansado de ser estratégico. Onde encontrarei gente para repetir?

 

A cidade é repetitiva; as pessoas nem se notam. Algumas apenas se relacionam profundamente.  Devo ir e voltar a casa.  Meu prédio estará sempre no mesmo lugar me visitando tantas vezes que eu existi-lo. Ei-lo em Teresina. Já me acostumei, logo não erro mais o endereço. Repetição, arte de reconhecer-se.

 

Caro leitor, se hás não te provoco mais que tua própria sabedoria. Nossa existência se repete tanto que deixamos de sê-la um momento. Queremos amar para aprendermos o escuro, mas o escuro é o que não há. É a ausência repetida de si. O amor vai amar-me; do contrário a ele encontrarei meu termo sem segurança de mais um eu cá para nunca haver, mais uma novidade que se desgarra de si.

 

A vida é diversa num limite de um não. É bom repeti-la: Eu agora estou sendo.

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Comentários (2)

Um espetáculo de conto, Parabéns Geovane!Como sempre nos impressionando com textos sensacionais... seus leitore agradecem, pois aprendemos muito com você... Você pinta neste conto a realidade que se vê bem presente em nosso mundo. Parabéns poeta...

Vanessa
postado:
09-02-2010 12:48:54

Meu Querido Poeta que eu amo. A vida em si é e será sempre uma repetição, ela se repete porque somos repetitivos e precisamos reaprender as lições esquecidas, o dever de casa que fizemos sem atenção, por isso teremos que repetir sempre, assim galgamos os degraus mesmo que lentamente, amando a vida e o que ela nos proporciona vivenciar. Adoro tuas reflexões... Beijos da Jady

Jady
postado:
09-02-2010 12:46:11

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