Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 22 de maio de 2012
PANORAMA
José Fortes
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Escândalo político do Caso Dreyfus

 

Caso Dreyfus - foi um escândalo político que dividiu a França por muitos anos, durante o final do século XIX. Centrava-se na condenação por alta traição de Alfred Dreyfus em 1894, um oficial de artilharia do exército francês, de origem judaica. O acusado sofreu um processo fraudulento conduzido a portas fechadas. Dreyfus era, em verdade, inocente: a condenação baseava-se em documentos falsos. Quando os oficiais de alta-patente franceses se aperceberam disto, tentaram ocultar o erro judicial. A farsa foi acobertada por uma onda de nacionalismo e xenofobia que invadiu a Europa no final do século XIX.

 

História

 

Em 1894, madame Bastian, empregada da limpeza na embaixada alemã em Paris descobriu uma carta suspeita no cesto do lixo do adido militar alemão, o tenente-coronel Schwarzkoppen. Madame Bastian entregou os papéis aos serviços secretos franceses, que logo concluíram que existia um traidor entre os oficiais franceses, que fazia espionagem para os alemães. Quando o caso se tornou conhecido, a carta passou a ser conhecida como "le bordereau" .

 

Alfred Dreyfus era o único oficial judeu entre os que poderiam ter escrito a carta. Por isto, foi considerado o principal suspeito e levado a julgamento. O memorandum foi usado como instrumento de acusação contra Alfred Dreyfus.

 

Dreyfus foi condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na costa da Guiana Francesa.

 

Em Novembro de 1897, seu irmão Mathieu Dreyfus, descobre que Charles Esterhazy é o verdadeiro culpado. Em 1898, as evidências da inocência de Dreyfus possibilitaram um segundo julgamento. A permanência da sentença anterior provocou a indignação de Émile Zola. O escritor expôs o escândalo ao público geral no jornal literário L'Aurore numa famosa carta aberta ao Presidente da República Félix Faure, intitulada J'accuse! (Eu acuso!) em 13 de Janeiro de 1898. Uma reprimenda endereçada à França: "Como poderias querer a verdade e a justiça, quando enxovalham a tal ponto todas as tuas virtudes lendárias?". Nas palavras da historiadora Barbara W. Tuchman, o caso Dreyfuss foi "uma das grandes comoções da história".

 

Outro literato bastante conhecido na época, Anatole France, defendeu abertamente Dreyfus e os judeus. Em seu livro O Anel de Ametista são descritos os manifestos populares, a perseguição daqueles que discordavam da sentença, os bastidores do jornal L´Aurore, etc. Já reconhecia o caso como "grande erro" e criticava a confiança cega que os franceses tinham em instituições como o exército e o clero.

 

Bernard Lazare e Scheurer tinham sido até então uns dos poucos defensores de Dreyfus. O jornalista Theodor Herzl, que posteriormente se tornaria o criador do sionismo fora cobrir o caso do julgamento de Dreyfus para um jornal austro-húngaro e ficou impressionado com o antissemitismo na França. Após o segundo julgamento houve manifestações em Paris em que muitos cantaram "Morte aos Judeus" pelas ruas.

 

Theodor Herzl e Emile Zola partiram para o ataque, denunciando os culpados pela farsa. O caso Dreyfus dividiu a França entre os dreyfusards (os apoiantes de Alfred Dreyfus) e os anti-dreyfusards (contra ele). A disputa foi particularmente violenta, uma vez que envolvia vários assuntos no clima controverso e agitado de então. De certa forma, estas divisões seguiam a linha de demarcação entre uma direita apoiando frequentemente o retorno à monarquia - e uma ala esquerda apoiando a República. Uma boa parte da virulência das paixões levantadas pelo caso deveu-se ao antissemitismo existente na França, onde, em 1886, havia sido publicado o livro anti-semita de Edouard Drumont, "La France Juive".

 

Vários Intelectuais - professores, estudantes, artistas, escritores - aliaram-se aos dreyfusards e assinaram pedidos intercedendo por Dreyfus. Em suas demonstrações gritavam "Vive Dreyfus! Vive Zola!". Do outro lado da barricada, os gritos eram de "Vive l'Armée! Conspuez Zola! Mort aux Juifs!". Houve pilhagens de lojas de judeus, verdadeiros pogroms na Argélia (em Boufarik, Mostaganem, Blida, Médéa, Bab el-Oued) com estupros, mortos e feridos.

 

Uma revisão do processo de Dreyfus em 1906 mostrou que Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy, outro major do exército francês, fora o verdadeiro autor das cartas e que agia como espião dos alemães.

 

Dreyfus foi restabelecido parcialmente no exército. Seus cinco anos de aprisionamento não foram considerados para a reconstituição da sua carreira. Esta decisão tirou-lhe qualquer esperança de uma carreira digna dos seus sucessos anteriores à sua detenção de 1894. Por conseguinte foi forçado à uma dolorosa demissão em junho de 1907. Dreyfus nunca pediu nenhuma compensação ao estado francês pela injustiça militar, nem pelo grande trauma sofrido e nem pelos danos financeiros. Morreu a 12 de julho de 1935.

 

Tabela cronológica dos acontecimentos

 

Finais de Setembro de 1894 - O bordereau chega à posse do ministério da guerra.

 

15 de Outubro de 1894 - Dreyfus é preso

 

De 19 a 22 de Dezembro de 1894 - Dreyfus é julgado e condenado por um tribunal militar. É condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo.

 

5 de Janeiro de 1895 - são-lhe retirados os galões de oficial numa cerimónia humilhante.

 

21 de Fevereiro de 1895 - Dreyfus embarca para a prisão na ilha.

 

Finais de Outubro de 1896 - o jovem jornalista Bernard Lazare publica uma brochura chamada "O erro judiciário - A verdade sobre o caso Dreyfus"

 

10 de Novembro de 1896 - o jornal "Le Matin" publica o bordereau, onde se pode ver a assinatura.

 

11 de Novembro de 1897 - Mathieu Dreyfus, o irmão de Alfred, descobre que Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy foi o verdadeiro culpado (um senhor Castro reconheceu no bordereau a assinatura de um seu cliente).

 

13 de Janeiro de 1898 - é publicado o "J'accuse" no "L'Aurore (tiragem de 300.000 cópias)

 

Finais de Janeiro de 1898 - Violência anti-semita na Argélia

 

23 de Fevereiro de 1898 - após processo, Zola é condenado a um ano de prisão e 3.000 francos de multa (o escritor Octave Mirbeau paga a multa). Perrenx, dono do "Aurore" foi condenado a 4 meses de prisão e 3.000 francos de multa

 

3 de Junho de 1899 - o tribunal de cassação anula o julgamento de 1894 e reabre o processo, re-enviando Dreyfus a um novo conselho de Guerra. Zola é autorizado a regressar do exílio de Inglaterra.

 

7 de Agosto a 9 de Agosto de 1899 - conselho de Guerra em Rennes- Dreyfus permanece um traidor e é condenado a 10 anos de prisão.

 

19 de Setembro de 1899 - Dreyfus é amnistiado e deixa a prisão, apesar de continuar a ser considerado culpado

 

29 de Setembro de 1902 - Émile Zola não veria o fim do processo - é encontrado morto por asfixia em circunstâncias misteriosas e não esclarecidas até hoje.

 

Julho de 1906 - Dreyfus é finalmente reabilitado

 

4 de Junho de 1908 - Cerimónia da transferência das cinzas de Zola para o Panthéon. Tentativa de homicídio contra Alfred Dreyfus,[1] que é ferido num braço.

 

Fonte: Wikipédia

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