Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 23 de junho de 2017
NOTAS DE RODAPÉ - RODRIGO CELENTE
Rodrigo Celente
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OLHAR UMBILICAL

OLHAR UMBILICAL Esse é um texto obsessivo-compulsivo sobre o umbigo. Não o meu, que é muito feio, mas sim sobre o umbigo feminino. Para começo de conversa, eu tenho minhas dúvidas se foi Deus quem o criou. Esse minúsculo botão de rosa pousado na barriga das mulheres, alvo de olhares atentos e famintos, que magnetiza e alimenta os desejos masculinos, esculpido e talhado com precisão cirúrgica só pode ser obra do Diabo. É muita lascívia num espaço tão pequeno. Tem a cara, digo, o dedo, do coisa-ruim, com certeza. Afinal, ele sempre gostou de ver o circo pegar fogo. Mas precisou um longo tempo na história do mundo para termos o direito de observá-los assim, descaradamente. Depois de Adão e Eva, os umbigos viveram um período de trevas, foram escondidos. Era preciso chegar o verão para admirar tal atributo feminino – isso depois da invenção do biquíni. Hoje, está cada vez mais fácil enxergar umbigos. Vivemos num momento em que tudo está encolhido: distâncias, tempo e até as roupas. E isso acarreta problemas. Não é difícil ver umbigos caídos, esticados, flácidos e até sujos no shopping, na sala de espera do dentista, no ponto de ônibus, no ônibus, no avião e até no ambiente de trabalho. Felizmente, estes ainda são a minoria. A maior parte é digna de contemplação. Mas é na beira da praia, no forte do verão, que eles mostram todo o seu poder. O sol deixa o umbigo moreninho. A brisa carrega para o seu interior grãos de areia. Com a água salgada, ele fica salgado, crocante e tostadinho, completando o banquete. Não posso esquecer as que deixam os pelinhos dourados ao redor do botão como atrativo. Tem quem goste. Li, não sei onde e não lembro quando, que o umbigo feminino – em especial seu formato – indica o quão fértil pode ser a mulher. Agora lembrei, era um estudo da Finlândia. Talvez não tenha tanto crédito, uma vez que eles devem observar um umbigo à mostra durante um dia ao ano. Seja como for, o estudo diz que os umbigos de formato T são os mais propícios para quem deseja um batalhão de filhos, mesmo que isso custe, mais tarde, todo o vigor do umbigo. Pois, mesmo com uma cirurgia, o umbigo jamais volta a ser zero quilômetro. Todo esse poder que o umbigo da mulher tem sobre o homem foi parar nas telas do cinema, na música e na poesia. Quem não se lembra da cena em que Mickey Rourke derrete uma pedra de gelo sobre o ventre, até chegar ao umbigo, de Kim Basinger, no clássico 9 e 1/2 Semanas de Amor? Chico Buarque, na música O Meu Amor, diz: “Depois brinca comigo, ri do meu umbigo/ E me crava os dentes”. Nosso maior poeta, Carlos Drummond de Andrade também deixou sua contribuição: “O corpo que tem dois seios e um embigo”. Mas o mais importante sobre o umbigo eu ainda não falei. Opa, mas agora preciso ir. Acabo de ver uma moça com um belo umbigo à mostr

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