NEUZA MACHADO - LETRAS
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6.8 - O NARRADOR DE A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA: O REFLETOR DAS CONTRADIÇÕES SOCIAIS
NEUZA MACHADO
No decorrer da narrativa A Hora e Vez de Augusto Matraga (de Guimarães Rosa), os questionamentos existenciais da burguesia moderna (Era Moderna) vêm à tona por intermédio da fala de Nhô Augusto. Observando o texto roseano pelo ponto de vista da Sociologia da Literatura, percebe-se que ali se revelam os questionamentos do narrador incomodado (um observador atento de sua própria realidade) como refletor das contradições da sociedade brasileira do século XX (momento que sinaliza a possibilidade de início para uma nova ordem social). São questionamentos e conflitos em desacordos, acrescidos de críticas e descrenças. São tentativas de romper com os conceitos substanciais do momento histórico em questão, ou seja, com as classes sociais díspares que vigoraram no Brasil até meados do século XX: medos, angústias, sofrimentos, conflitos sociais e religiosos, todo um apanhado de misérias morais e ideológicas impostas pelo espaço substancial.
MACHADO, Neuza. O Narrador Toma a Vez: Sobre A Hora e Vez de Augusto Matraga de Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: NMachado, 2006 – ISBN 85-904306-2-6
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