| NEUZA MACHADO - LETRAS |

6.4 - O NARRADOR DE A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA: O PODER DO MAIS FORTE
NEUZA MACHADO
Enquanto Nhô Augusto perde seus poderes dentro das dimensões sócio-substancial e mítico-substancial, o major Consilva, representante do contra-poder que aspira ao poder de fato, instala-se como seu sucessor (cf: Guimarães Rosa, A Hora e Vez de Augusto Matraga).
Para o narrador roseano, a figura do major representa o poder do mais forte, a certeza de que esse mundo completo não ruirá. O major é a continuação do poder da burguesia agrária brasileira (meados do século XX) que aponta o poder “inovador”. (Nhô Augusto era representante de um poder “velho”, que se via “eterno”, que não temia concorrência, como aristocracia do sertão. Nhô Augusto não era “econômico”. Por isso, no momento da queda, o recado do inimigo: Fala com Nhô Augusto que sol de cima é dinheiro. O inimigo já burguês). Apenas é necessário continuar a observar a evolução social representada por Nhô Augusto, mesmo que esta evolução se apresente fragmentada.
MACHADO, Neuza. O Narrador Toma a Vez: Sobre A Hora e Vez de Augusto Matraga de Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: NMachado, 2006 – ISBN 85-904306-2-6
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