NEUZA MACHADO - LETRAS
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6.12 - O NARRADOR DE A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA: ENCONTRO E DESENLACE EM “CHÃO SAGRADO”
NEUZA MACHADO
A volta de Nhô Augusto, em direção ao Sul, e o retorno de seu Joãozinho, caminhando novamente em direção ao Norte, seu lugar de origem, não representam retrocessos de posição. Em verdade, enquanto retrocede a caminho do Sul, Nhô Augusto avança, cada vez mais, em direção ao Ficcional. Se a narrativa ainda e agora é um reflexo, o retorno de Nhô Augusto reflete, inversamente, como um espelho, por exemplo, a ultrapassagem da Fronteira. Seu Joãozinho atuou sempre sob a forma ficcional, se “materializara” rapidamente para agenciar o insólito sem abdicar de sua condição de personagem romanesco. O segundo encontro é decisivo, e se faz necessário que seja realizado em “chão sagrado”. A morte de ambos legitima o narrador. Este transferiu para os dois personagens, seus duplos, o desenlace que prevê para si mesmo, como autêntica Voz de um Brasil em evolução: conflitante, questionadora, contraditória. E em crise.
MACHADO, Neuza. O Narrador Toma a Vez: Sobre A Hora e Vez de Augusto Matraga de Guimarães Rosa. Rio de Janeiro: NMachado, 2006 – ISBN 85-904306-2-6
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