Dilson Lages Monteiro Quinta-feira, 24 de julho de 2014
NÃO TROPECE NA LÍNGUA - M. T. PIACENTINI
M. T. Piacentini
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De hífens, pontos, abreviaturas etc (II)

[M. T. Piacentini]

--- Escrevendo-se de forma manuscrita deve-se ou não cortar o número 7 (sete)? José C. M. Pereira, Londrina/PR


A convenção no Brasil é que, manuscrito, o número 7 deve ser cortado, para não ser confundido com o número 1 (diferentemente dos EUA, por exemplo, em que o 1 manuscrito é só um traço).


--- Quando se quer dizer que um elemento tem as propriedades de duas ou mais coisas, como aromática e cromoterápica, eu diria que é aromocromoterápico ou aromo-cromoterápico? Geraldo L.S. Jardim, Santo Amaro da Imperatriz/SC
 

A grafia correta é sem hífen, mesmo quando aromo (ou aroma) é o primeiro dos elementos de  composição:  aromoterapia + cromoterapia =aromocromoterapia aromocromoterápico.  Caso análogo: antropomorfográfico.


--- Nosso Projeto de Resolução está sendo corrigido e surgiu dúvida quanto ao plural da  seguinte palavra composta que está neste  inciso: I - planejar, organizar, dirigir, coordenar e supervisionar projetos e atividades-fim (ou atividades-fins) do órgão e seus resultados.
 S. M. Gattringer, Florianópolis/SC


Fica a seu critério o uso. As duas formas de plural estão corretas: atividades-fim ou atividades-fins, mas a primeira forma parece ter mais aceitação, assim como atividades-meio, horas-aula, datas-limite, palavras-chave, cartas-convite, vales-transporte, seguros-desemprego e outras composições de dois substantivos em que o segundo funciona como determinante do primeiro.  Mais sobre o assunto na coluna Não Tropece na Língua nº 197 – De pau-brasil a decreto-lei – plural dos compostos.
 

--- Por que na frase “quer-lhe-ia apresentar meus votos de pronto restabelecimento”, o pronome oblíquo está mal empregado? Jaciene Nascimento, Nilópolis/RJ


Se a frase começar com o verbo querer, não se dirá que o pronome oblíquo está mal colocado, isto é, não se encontra aí nenhum erro gramatical. Seria considerada má colocação pronominal se houvesse uma palavra atrativa antes do verbo, situação que não admite a mesóclise: “Informei na recepção que queria lhe apresentar meus votos de pronto restabelecimento” (ou que queria apresentar-lhe ou ainda que lhe queria apresentar).


A outra face da questão é que ninguém no Brasil falaria assim, e poucos escreveriam “quer-lhe-ia”, com o uso da mesóclise por causa do futuro do pretérito, a não ser no início de frase de um texto formal. As formas usuais são as seguintes:  
 

Queria lhe apresentar meus votos de felicidade e saúde.

Gostaria de lhe desejar boa sorte.

Queria apresentar-lhe minhas felicitações.

Queremos apresentar-lhe nossos cumprimentos.


--- Gostaria de saber se ao dizer “nome da razão social” eu não estou sendo redundante. Claudia, Rio de Janeiro/RJ


Fica redundante, sim. No sentido de "firma", basta dizer "a razão social", "qual é a razão social?", pois aí já se trata do nome usado pelo comerciante ou industrial no exercício de suas atividades.

 


 

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