Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
NÃO TROPECE NA LÍNGUA
M. T. Piacentini
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Xérox ou xerox, outros pares e pronome relativo

[M. T. Piacentini]

As duas formas podem ser usadas: se você pronuncia como palavra oxítona, escreva xerox, sem o acento gráfico, a exemplo de outras marcas registradas que se tornaram nomes comuns, como pirex, gumex, perfex, durex etc. Mas é possível acentuar o vocábulo, xérox, de acordo com a norma ortográfica relativa às paroxítonas terminadas em X, tal qual fênix, ônix, látex e dúplex (também pronunciado como oxítona: duplex).


Quando existem alternativas de pronúncia e escrita, é bobagem ficar corrigindo as pessoas que falam ou escrevem diferente da gente. Deixando a escolha a cada um, vejamos outros casos de dupla grafia ou de uso optativo entre duas formas de se expressar:


. assoalho e soalho
. a maquinaria e o maquinário [mas não *a maquinária]
. abdome e abdômen
. aluguel (pl. aluguéis) e aluguer (pl. alugueres, sobretudo em Portugal)
. aterrissar e aterrizar [formação vinda de aterrar + sufixo izar, eis uma forma conciliadora para quem prefere a pronúncia com som de Z]
. bile e bílis
. de pé e em pé [no sentido de estar ereto sobre os próprios pés, não sentado nem deitado, enquanto “ir a pé” significa deslocar-se sem veículo algum].
. destrinçar e destrinchar
. garçom (pl. garçons) e garção (pl. garções)
. germe e gérmen
. hidrelétrica e hidroelétrica
. humo e húmus
. infarto e enfarte  [mas não *infarte]
. maquiagem e maquilagem
. mestria e maestria
. nuança e nuance
. porcentagem e percentagem
. quadriênio e quatriênio
. quatorze e catorze
. quociente e cociente
. quota e cota
. termelétrica e termoelétrica
. vitrina e vitrine


REGÊNCIA VERBAL: FALTA DA PREPOSIÇÃO

          *Sabe aquele lugar que você planejava viver no futuro? A inauguração é hoje.


Assim foi escrito no lançamento de um condomínio na capital catarinense. A construtora se preocupou com os “apartamentos totalmente mobiliados”, mas a agência de propaganda falhou na redação do texto. O correto de acordo com a norma-padrão seria:


Sabe aquele lugar em que você planejava viver no futuro?


Isso porque o verbo viver reclama a preposição em [você vive em um lugar], que deve aparecer nitidamente na frase. Neste caso, a preposição se desloca para a frente do pronome relativo que, que introduz a oração subordinada na qual se encontra o verbo que rege a preposição. Outros exemplos:


A marca em que você sempre confiou está de volta. [confiar em]

Só faço as coisas de que gosto. [gostar de]

Não publicou as notas mais importantes a que me referi. [referir-se a]

Ninguém precisou se perguntar a que pressões aludia o presidente. [aludir a]


A gramática interior do falante lhe permite saber a preposição adequada a cada situação. É natural dizermos “confiou na marca, gosto de coisas boas, eu me referi a notas importantes, ele aludia a pressões”; porém, é preciso um bom ouvido para reconhecer a falta da preposição quando ela está distante do verbo. Nem todas as pessoas, por exemplo, sentem que o slogan da Texaco [*O posto que você confia] fere as normas gramaticais. Mas seria muito bem-vinda a retificação da frase para “o posto em que você confia”.


Na fala cotidiana a tendência é simplificar deixando de lado essas particularidades. Todavia, quem quer escrever de acordo com o padrão culto formal não pode omitir essa preposição que antecede o pronome relativo.


 

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