MEIAS VERDADES
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Sobre escolhas, sonhos e fracassos.
A difícil tarefa cotidiana da escolha. Eis o dilema que temos desde a hora que acordamos. O que vestir? Jeans ou social. Calçar tênis ou sapato? Tomar café com leite ou puro? Pão com ou sem manteiga? Estas são escolhas simples. Todavia, há as mais difíceis de serem feitas, nos fazem pensar mais detidamente nas conseqüências, pesar os prós e os contras. Às vezes, pagamos um preço alto demais. Ah... se tivesse feito isso e não aquilo, talvez teria sido mais feliz. Se tivesse escolhido aquele e não esse candidato, esta e não aquela mulher, se optasse por determinado caminho e não pelo atalho, muita coisa poderia ser diferente.
Eu mesmo, enquanto teço esses parágrafos escolho artigos, substantivos, conjunções, preposições e verbos que melhor se casem com minhas ideias e intenções. Escolhas, não há como evitá-las. A alegria e a decepção são irmãs gêmeas, diria até que siamesas, estão lado a lado das escolhas, sem elas não saberíamos se, como disse muito bem o maior poeta português, Fernando Pessoa, “valeu a pena?”.
A incerteza faz parte de nossas vidas, até aqui não disse nenhuma novidade,. Bom, acalme-se, não é essa a intenção. O que eu gostaria mesmo é de fazê-lo pensar sobre suas últimas opções de vida. Foram inteligentes? São aceitáveis? São condenáveis?
E você, o que tem feito para cumprir suas promessas mais íntimas? A falta de tempo é sempre uma boa desculpa, e depois tem o fator econômico. Sei! Mas... e seus sonhos? Não vale a pena lutar por eles? Claro que vale, melhor lutar do que a terrível sensação do “poderia ter dado certo”.
Seguramente, a escola é um dos caminhos para fazer acontecer, para amadurecer as idéias, trocar experiências. Quando me deparo com pessoas de idade avançada nos bancos escolares, tenho um profundo sentimento de reverência, aliás, o mesmo também se aplica aos mais jovens. Eles escolheram o árduo trabalho intelectual. Escolheram um “levante silencioso” por meio dos livros, do diálogo, da exposição de ideias. Quem vivencia a experiência acadêmica sofre profundas transformações, sobretudo, quando se tem claramente a importância de tal escolha. É uma revolução interior, mudará a(s) história(s) de vida(s). Contra todas as previsões, aquela senhora de idade avançada, que para muitos está “perdendo” tempo, luta para provar a si e aos outros que é capaz, bastou uma oportunidade e lá está ela, orgulhosa com seus livros. Orgulhosa em mostrar para os netos e filhos a força que ainda tem. Talvez, a melhor lição não será tirada das palavras de um filósofo alemão ou de um pedagogo francês. Será dela para os seus pares! Reverter a situação, acreditar que é possível quando tudo indica que já é hora de “parar”, é a maior das lições. Os netos e filhos um dia precisarão de um diploma, ela precisará apenas do “caminho”.
É um princípio básico do homem, dotado de inteligência e ambição, sonhar. É fundamental acreditar, principalmente, acreditar no humano. Aqui estou sendo “sonhador”. Sim, acreditar no homem, ainda que os tempos pós-modernos nos mostrem um retrato desbotado do filho do criador. Acreditar que há pessoas bem intencionadas, altruístas, acima de tudo, amigas, e que as encontramos por entre nossas escolhas cotidianas.
E, se de tudo, as escolhas levarem ao fracasso, não se apequene. Recomece! Os grandes da história da humanidade também erraram, equivocaram-se num momento ou noutro. Mas, não aceitaram a derrota. Ou você acha que Marco Pólo, Cristóvão Colombo, Santos Dumont, Albert Sabin, Leonardo Da Vince, Gandhi entre outros sempre obtiveram sucesso naquilo que se propuseram a fazer. Entre o sonho e a sua realização, há um caminho a ser percorrido. Nem sempre a realização traz felicidade, mas o que importa mesmo é o processo, a busca pelo objeto de desejo. O desafio é saber viver por entre nossas escolhas, sonhos e fracassos. Porém, só há uma forma de aprendizado: mergulhar de cabeça na vida. É bem provável que haverá alguém para socorrê-lo, caso você esteja se afogando.
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