MEIAS VERDADES
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À que poderia ser Sangrou assustada chorou e sorriu com a amiga. Sonhou e partiu com o amigo lutou e se perdeu pelo mundo afora. Sangrou tantas outras vezes, aprendeu a não chorar com outros homens. E lutou mais vezes que podia lutar e viu no espelho marcas que não queria ver. Sentiu hálitos, línguas, cheiros e odores estranhos e ouviu verdades-mentiras no vaivém do corpo-objeto exposto no grande mercado de carnes. Passou batom como se fosse borracha e apagou mais aquela besta-fera. Jogou moeda na gaveta como se fosse um poço e fez mil pedidos prum santo surdo-mudo que jamais serão atendidos. Sangrou até a última gota numa cama suja e ninguém deu pela falta da menina nem da puta.
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