Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
LETRA VIVA
Cunha e Silva Filho
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Uma poeta (ou poetisa) de Curitiba: Roza de Oliveira

 
Cunha e Silva Filho


                        Leitor, dessa vez esta coluna pede um espaço para uma referência a uma escritora, a Roza de Oliveira, que conheci, faz pouco tempo, numa viagem do Rio de Janeiro a Curitiba. Ela estava acompanhada de seu esposo, Julio Enrique Gomez, um argentino com coração de brasileiro, virtuose da música, pianista talentoso. Os dois formam um tipo de casamento que eu diria perfeito, não só porque essas duas criaturas se harmonizam no amor, mas sobretudo porque são almas gêmeas dedicadas às duas espécies de arte já mencionadas.
                     Roza foi professora de literatura, fez mestrado em literatura brasileira, defendendo uma dissertação sobre a poesia de Tasso da Silveira, de título As imagens do ar nos poemas de Tasso da Silveira, defendida, em 1988, na Universidade Federal de Santa Catarina, posteriormente publicada em livro pela Secretaria de Estado de Cultura do Paraná em 2001.157 p.
                     A escritora não é paranaense, pois nasceu em Santo Antônio de Pádua, estado do Rio de Janeiro. Aos sete anos, sua família foi para o Paraná. Seus estudos primários e secundários fez em Paranavaí. Graduou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia e Letras de Paranavaí. Foi professora desde a adolescência. Em 1979, transferiu-se para Curitiba. Em seguida, a partir de 1996, foi lecionar na Universidade Tuiuti.
                  Roza de Oliveira, antes de mais nada, é visceralmente poeta, sobretudo distinguindo-se como trovadora e declamadora de mérito indiscutível, além de ter dado importante contribuição ao ensaio literário, à ficção infantil (contos), entre outros gêneros. Esta autora  me dá a impressão de que é uma artista da poesia totalmente envolvida com sua arte. Tem belíssima voz e sabe declamar como poucos. Além disso, é dotada de uma extraordinária memória, que a auxilias muito como declamadora.    Conversando com ela, no aconchego do lar do casal, pude verificar o quanto Roza significa como artista do verso.

                Improvisadora, parece ter aquele talento que só encontramos em grandes repentistas do cordel. Erudita no conhecimento teórico da arte poética, amante das grandes vozes da poesia brasileira independentemente de estilos de época, ela nos surpreende com a sua versatilidade, com o seu convívio íntimo com a poesia.
              Escritora querida entre seus pares, respeitada em todo o estado do Paraná,  Roza vai, assim, espalhando poesia por toda a parte, em eventos, em palestras, em conferências. O mais belo nisso tudo é que ela está sempre ao lado de Julio, trabalhando em conjunto. Ele,ao piano; ela, declamando poesias de grandes poetas e dela própria. Ativos ambos, viajam muito, sempre e sempre fazendo apresentações lítero-musicais e com sucesso.
            Uma vez, perguntei a  Roza se ela declamava qualquer grande poeta , seja nacional, seja de outros países. Ela me respondeu que só gosta de declamar o poema que a emociona. Nisto, a meu ver, se revela como uma poeta seletiva e cuidadosa com a sua sensibilidade e critério estéticos.
Roza merece estudos mais desenvolvidos tanto com respeito à sua produção poética, que é considerável, quanto com respeito às sua publicações ensaísticas.
          A escritora  é Presidente da Academia Paranaense da Poesia, Pertence à Academia Sul Brasileira de Letras, à Academia de Letras José Alencar, à Academia Feminina de Letras, ao Círculo de Estudos Bandeirantes, ao Centro de Letras do Paraná e  à UBT.

Obras pubicadas(entre outras):

Poesia; Escalada - Paranavaí, 1979; Halley Cruzado & CIA -Poesia do dia-a-dia, Curitiba,  1986; S.O.S Vida verde paz no pesadelo  da violêcia, Curitiba, 1989; Minha trovas de humor, Curitiba, 1989; Paródias musicais poemas e trovas para as celebrações escolares, Curitiba, 1992;Poemas de amor, Curitiba, 1993; Caracolando, Curitiba,  1997. Prosa (Contos infantis):  Passeio cósmico, Curitiba,  1989; A menina que queria voar, Curitiba,  1990; O cavalinho de Guilherme, Curitibva,  1993
         A propósito do lançamento que hoje, fiz do meu livro Breve introdução ao curso de Letras: uma orientação (Rio e Janeiro: Editora Quártica, 2009, 120), ela me mimoseou (reconheço que o termo é um tanto antigo) com as seguintes trovas, todas dedicadas àquele evento e, com isso, quero homenageá-la nesta coluna, em retribuição ao seu gesto elegante e carinhoso:


ALGUMAS TROVAS PARA A TUA TARDE DE AUTÓGRAFOS

Roza de Oliveira

Que a luz de Deus te ilumine
neste sagrado momento.
Que o livro a todos fascine
na tarde do lançamento.
*

Que a luz de Deus seja o norte
em todo e qualquer momento.
Que o teu livro brlhe forte
na tarde do lançamento.
*

Que a luz de Deus, majestosa,
exponha o livro ao sedento.
Desejam o Júlio e a Roza
na tarde do lançamento.
 

 

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Comentários (1)

Não acredito! É você mesmo? Minha amiga Roza do DEPG? São mais de 22 anos sem nenhum contato. Por favor faça contato por e-mail. Tenho tanto para lhe contar! Também sou poeta, publiquei um livro e participei do IV Festival Internacional de Poesia realizado em Dois Córregos - SP. Lembra-se de mim? Espero seu contato Um grande abraço Geraldina

Geraldina Vargas Lombardi
postado:
15-06-2010 20:34:08

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