Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
LETRA VIVA
Cunha e Silva Filho
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Um quase Nero na Síria

Um quase Nero na Síria


Cunha e Silva Filho


                         A “Primavera Árabe” na Síria de Bashar al-Assad parece não ter solução para os problemas gravíssimos de um povo que vem sofrendo todas as atrocidades de um ditador impiedoso e cruel, capaz de confundir a todos com suas ações maquiavélicas e genocidas. Ditador pronto a pôr a culpa da matança dos sírios que se lhe opõem ao regime autoritário nos próprios cidadãos civis, ou mesmo capaz de matar soldados seus para jogar a culpa nos insurgentes. Nem a sua formação em país de regime democrático conseguiu mudar a sua mentalidade sanguinária. Há quase um ano a matança de civis revoltosos já atingiu pelo menos cinco mil vitimas da sua truculência.
                        Podemos prever que seu fim não será nada glorioso ainda que conte a seu favor com parte considerável da população – é possível esta avalizar todos os seus crimes de morte? É difícil acreditar que parte da população ainda concorde com ele, mas comportamento como esse é de se esperar do ser humano e a História o tem mostrado sobejamente tendo em vista o que aconteceu com a Alemanha nazista.
                        Os Estados Unidos, embora tenham manifestado sua reprovação com o que está ocorrendo na Síria, não tem dado nenhum sinal de que se alinhará a outros países da Europa e do Oriente Médio a fim de propor ações firmes contra um ditador que está dizimando populações indefesas, implantando o terror, a tortura, a repressão desenfreada contra a sociedade civil.
Já é hora de a ONU, tomar medidas drásticas e mesmo militares contra o ditador sírio que, ao que parece, não tem dado nenhum sinal de que está amedrontado com a repercussão negativa que seu regime tem tido junto à comunidade mundial que luta pela paz e pela segurança dos povos, cujos maior sonho seria alcançar um estado onde a liberdade dos indivíduos seja conquistada de forma perene.
                        O ditador sírio, depois das tentativas de pedidos por parte da Liga Árabe para que esta pudesse enviar observadores e verificar o comportamento do governo em relação ao opositores do regime, não se deixou intimidar e continuou reprimindo os civis, com ações bélicas contra a população que não deseja mais se submeter aos sacrifícios impostos duramente pelo ditador e sim alcançar aspirações que levem o país a um estado de liberdade de expressão e de escolher pelo voto seus governantes, quer dizer, o povo, compondo seguramente a maioria da sociedade civil, não aceita mais um regime discricionário como o que se instalou na Síria desde, pelo menos, o tempo da ditadura do pai de Assad, o presidente Hafez al-Assad, a quem sucedeu em 2000, na condição de ditador através de um “referendo”.

                     Vale lembrar que o pai de Bashar al-Assad, governou o país por cinco mandatos consecutivos, ou seja, era “eleito” através de uma lista única pelo partido Ba’ath, do que se tornou seu secretario geral. Desta maneira, tanto o pai quanto o filho não passaram de governantes em cujas mãos enfeixavam poderes ilimitados. A sua propalada  situação política de República Parlamentar não passa, pois, de uma fachada para esconder práticas de eleição manipulada e de autoritarismo e ausência de alternância no poder.

                    O mundo árabe que não compactue com as truculências que se vêm arrastando por quase um ano, deve fazer pressão contra o regime desse ditador de tal sorte que, encurralado e isolado, ele se veja forçado a deixar a Síria à qual só tem feito mal e se desgastado diante dos olhos dos povos livres. Em caso contrário, estará o ditador instigando o povo a uma divisão ideológica e política que levará a nação à uma carnificina ainda mais sangrenta através da guerra civil, cujas consequências trarão apenas a destruição da integridade física do país e da desagregação do que já foi construído pelo povo com o seu trabalho ainda que vivendo por largo tempo sob um regime de opressão às liberdades do indivíduo.
                 Até agora, não tenho visto nenhuma providência do Conselho de Segurança da ONU a fim de que formule estratégias que venham salvar o povo da Síria das infâmias e da estupidez de um quase Nero da pós-modernidade. O mundo democrático aguarda, portanto, urgentes medidas partindo do Conselho de Segurança em direção à paz na Síria.Não podemos cruzar os braços e assistir à violência diária de tropas do governo contra inocentes e indefesos civis rebelados contra a prepotência e a barbárie.
 

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