Dilson Lages Monteiro Sábado, 11 de fevereiro de 2012
LETRA VIVA
Cunha e Silva Filho
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Um poema de Henry W. Longfellow (1807-1882)

 

Um poema de Henry W. Longfellow (1807-1882)


 

THE DAY IS DONE


The day is done, and the darkness
     Which falls from the wings of Night,
As a feather is wafted downward
     From an eagle in his flight.

I see the lights of the village
    Gleam through the rain and the mist,
And a feeling of sadness comes over me,
    That my soul cannot resist.

Come, read to me some poem,
   Some simple and hearfelt lay,
That shall soothe this restless feeling,
   And banish the thoughts of day.

Not from the grand old masters,
  Not from the bards sublime,
Whose distant footsteps echo
  Through the corridors of Time.

For, like strains of martial music,
  Their mighty thoughts suggest
Life's endless toil and endeavor;
   And toçnight long for rest.

Read from some humbler poet,
  Whose songs gushed from his heart,
As showers from the clouds of summer,
  Or tears from the eyelids star;

Who, through long days of labor,
  And nights devoid of ease,
Still heard in his soul the music
  Of wonderful melçodies.

Such songs have power to quiet
  The restless pulse of care,
And come like the bnediction
  That folows after prayer.

Then read froçm the tresured volume
  The poem of thy choice,
And lend to the rhyme of the poet
  The beauty of thy voice.

And the night shll be filled with music,
   And the cares, that infest the day,
Shall fold their tents, like the Arabs,
   And as silently steal away.


FIM DO DIA

Foi-se o dia. A escuridão
   Da Noite sobre as asas desce,
Qual penas suavemente soltas
   Em pleno voo de uma águia.

Do vilarejo as luzes avisto
   Na chuva e névoa rebrilhando,
Com sentimento de tristeza me envolvendo
   À minh'alma irresistível.

Venha um poema me ler,
   Um velho, singelo e sentido poema
Que mitigar me venha inquieto sentimento,
   E do dia o pensamento afastar.

Não versos d'antanho célebres mestres,
   Nem de sublimes bardos,
Cujos rastros, longínquos, ressoam 
   Pelos corredores do tempo.

Pois, semelhantes às inquietações da música marcial,
  Sugerem poderosos pensamentos seus
Da vida o trabalho e o esforço derradeiros
  Para esta noite só descanso almejo.

Verso de um poeta mais simples apenas quero ler,
  Cuja música do coração jorra,
Qual chuva de nuvens de verão,
  Ou dos olhos lágrimas brotadas.

Para quem, por longos dias de labuta,
  E de noite e canseiras,
Ainda sim mesmo ouvir consegue n'alma a música
  De sublimes melodias.

O condão de livrar têm essas canções
  Da tristeza a inquieta pulsação,
E como bênçãos surgem
  Logo após concluídas orações.

E, depois, leia do volume precioso
  O poema de sua preferência,
Emprestando às rimas do poeta
  De tua voz a beleza.

A noite, assim, há de música saciar-se,
  E as dores que o dia aborrecem,
Hão de as tendas desfazer, à feição dos árabes,
  Em completo silêncio esvoaçando-se.


                                                          (Tradução de Cunha e Silva Filho)
 

 

 


 

 

 


 


 

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