Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 06 de março de 2015
LETRA VIVA - CUNHA E SILVA FILHO
Cunha e Silva Filho
Tamanho da letra A +A

Um poema de Anatole France ( 1844-1924)

 

 


 

 


La mort d’une libellule

 


Um jour que voyais ces sveltes demoiselles,
Comme nous les nommons, orgueil des calmes eaux,
Réjouissant l’air pur de l’éclat de leurs ailes,
Se fuir e se chercer par-dessous les roseaux,

Um enfant, l’oeil en feu, vint jusque dans la vase,
Pousser son filet vert, à travers les iris,
Sur une libellule; et le réseau de gaze
Emprisonna le vol de l’insecte surprise.

Le fin corsage vert fut percé d’une épingle;
Mais la frêle blessée, en un farouche effort
Se fit jour, et, prenant ce vol strident qui cingle,
Emporta vers les joncs son épingle e sa mort.

Il n’eût pas convenu que, sur une liève infame,
As beauté s’étalât aux yeux des écoliers:
Elle ouvrit pour mourir ses quatre ailes de flamme
Et son corps se sécha dans les joncs familiers.


A morte de uma libélula

Certa vez, vi essas esbeltas mocinhas,
Como as chamamos, orgulho das águas calmas,
Deliciando-se no ar puro do brilho de suas asas
Evadirem-se e se  procurarem por sobre os caniços.

Uma criança, o olho afogueado, veio até ao vaso,
 E, através dos íris uma rede verde, estender
Sobre uma libélula e a rede de gaze
Impedir do inseto surpreendido o vôo.

Foi, por um alfinete espetado, o fino corpinho verde;
Porém, a frágil criatura  ferida,com um enorme esforço,
Alento recobrou e, alçando voo, estridente singrou,
Em direção aos juncos, levando o alfinete e a morte.

Sobre uma cortiça infame, não lhe convinha,
Aos olhos dos escolares, a beleza exibir:
Abriu, então, pra morrer, as quatro asas de chama
E, nos juncos familiares, o corpo secou.

                                                                                       (Tradução de Cunha e Silva Filho)
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

28.02.2015 - Tempo de memórias em José Ribamar Garcia

22.02.2015 - Democracia e caráter de seus supostos praticantes

20.02.2015 - Medo de perder o

18.02.2015 - Tradução do poema "The laws of God, the Laws of Man", de A.E. Housman (1859-1936)

14.02.2015 - Carnaval em casa: retiro ou solidão?

13.02.2015 - O que se questiona no governo Dilma

10.02.2015 - Estranho Homem

07.02.2015 - Tradução de um poema de Henri Gilarès

05.02.2015 - Da literatura e de intelectuais

02.02.2015 - Leitor de colunas de jornais em tempos variados e com minhas omissões involuntárias

29.01.2015 - Sudeste brasileiro em tempos apocalípticos

27.01.2015 - As injusticas, seus males e algumas soluções

27.01.2015 - As injusticas, seus males e algumas soluções

23.01.2015 - Dois notáveis educadores piauienses

20.01.2015 - O meio-ambiente é a palavra-chave

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

05.03.2015 - COMO COMEÇOU O RETIRO DE SANTA TERESA NO RIO

COMO COMEÇOU O RETIRO DE SANTA TERESA NO RIO

04.03.2015 - BUDA CARIOCA

BUDA CARIOCA

03.03.2015 - POBREZA ETERNAMENTE COMEMORADA

Notadamente, para um povo que espera, espera, tão despreocupadamente, a ponto de esquecer o que, de fato, estaria almejando alcançar, ainda bem que a esperança é a última que morre.

02.03.2015 - NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

01.03.2015 - A origem da literatura

Porque a literatura nos importa tanto

01.03.2015 - NATUREZA MORTA

NATUREZA MORTA

28.02.2015 - NA TOCA DO VELHO MONGE

O Natim, ao enaltecer as qualidades de seu avô, João Simão, se emocionou e comoveu todos os presentes.

28.02.2015 - NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

28.02.2015 - Tempo de memórias em José Ribamar Garcia

Depois do sucesso de

27.02.2015 - A PANTERA. 1

A PANTERA. 1

26.02.2015 - NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

O sonho do personagem Nhô Augusto

25.02.2015 - Departamento de Polícia Judiciária

Hoje eu falo de um livrinho esquecido da nossa literatura policial, publicado há mais de 50 anos.

25.02.2015 - A prosa soberana

Eu gosto dos escritores à moda antiga

24.02.2015 - Pierre Bataillon

Pierre Bataillon

24.02.2015 - NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

NEUZA MACHADO - DO PENSAMENTO CONTÍNUO À TRANSCENDÊNCIA FORMAL

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br