Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
LETRA VIVA - CUNHA E SILVA FILHO
Cunha e Silva Filho
Tamanho da letra A +A

Um poema de Anatole France ( 1844-1924)

 

 


 

 


La mort d’une libellule

 


Um jour que voyais ces sveltes demoiselles,
Comme nous les nommons, orgueil des calmes eaux,
Réjouissant l’air pur de l’éclat de leurs ailes,
Se fuir e se chercer par-dessous les roseaux,

Um enfant, l’oeil en feu, vint jusque dans la vase,
Pousser son filet vert, à travers les iris,
Sur une libellule; et le réseau de gaze
Emprisonna le vol de l’insecte surprise.

Le fin corsage vert fut percé d’une épingle;
Mais la frêle blessée, en un farouche effort
Se fit jour, et, prenant ce vol strident qui cingle,
Emporta vers les joncs son épingle e sa mort.

Il n’eût pas convenu que, sur une liève infame,
As beauté s’étalât aux yeux des écoliers:
Elle ouvrit pour mourir ses quatre ailes de flamme
Et son corps se sécha dans les joncs familiers.


A morte de uma libélula

Certa vez, vi essas esbeltas mocinhas,
Como as chamamos, orgulho das águas calmas,
Deliciando-se no ar puro do brilho de suas asas
Evadirem-se e se  procurarem por sobre os caniços.

Uma criança, o olho afogueado, veio até ao vaso,
 E, através dos íris uma rede verde, estender
Sobre uma libélula e a rede de gaze
Impedir do inseto surpreendido o vôo.

Foi, por um alfinete espetado, o fino corpinho verde;
Porém, a frágil criatura  ferida,com um enorme esforço,
Alento recobrou e, alçando voo, estridente singrou,
Em direção aos juncos, levando o alfinete e a morte.

Sobre uma cortiça infame, não lhe convinha,
Aos olhos dos escolares, a beleza exibir:
Abriu, então, pra morrer, as quatro asas de chama
E, nos juncos familiares, o corpo secou.

                                                                                       (Tradução de Cunha e Silva Filho)
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

25.01.2017 - Aviso aos leitores

23.01.2017 - DIÁLOGO COM TODAS AS COISAS, OBJETOS E SERES: A POESIA DE NATHAN SOUSA

21.01.2017 - SÃO SEBASTIÃO: PADROEIRO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

15.01.2017 - O QUE É O HOMEM BRASILEIRO?

10.01.2017 - O RIO DE JANEIRO PEDE SOCORRO

06.01.2017 - CUNHA E SILVA FILHO:ESCRITOR E CRÍTICO LITERÁRIO

29.12.2016 - DESPEDIDA DO ANO DE 2016

24.12.2016 - JOSÉ RIBAMAR GARCIA: O FICCIONISTA, A LINGUAGEM E UM PASSO ADIANTE

16.12.2016 - MISERICÓRDIA, ONU, PARA ALEPPO!

14.12.2016 - DE VOLTA A FERREIRA GULLAR: UMA CORREÇÃO

08.12.2016 - BRASIL: UMA REFLEXÃO

04.12.2016 - MORRE O POETA FERREIRA GULLAR

30.11.2016 - A RAZÃO ESTÁ NO MEIO, NÃO NOS JULGAMENTOS

25.11.2016 - “PARADEIRO”, DE GEOVANE FERNANDES MONTEIRO: UMA ESTREIA PROMISSORA

17.11.2016 - SOBRE LEITURA

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

19.02.2017 - CASA ABANDONADA

CASA ABANDONADA

18.02.2017 - As vozes narrativas

As vozes narrativas

18.02.2017 - As memórias de Cunha e Silva Filho

Um amigo que tem muitas coisas a contar relata fatos de sua vida.

17.02.2017 - O PIANO, A TARDE

Minha tia Maria José

16.02.2017 - A Filha da Floresta, de Thales Andrade

Assim iniciou a literatura infantil brasileira.

15.02.2017 - ENTREVISTA DE R. SAMUEL A LUIZ ALBERTO MACHADO

Não vi a riqueza de Maurice Samuel

15.02.2017 - CONCEIÇÃO

CONCEIÇÃO

14.02.2017 - Solveig von Schoultz, 1907-1996, Finlândia

Demos-lhe sementes; não muitas,

13.02.2017 - Paru

Filho da estrada e do vento, nunca se soube de onde vi/era, nunca se soube para onde foi.

12.02.2017 - NATUREZA MORTA

Oh, está morto, tudo está congeladamente morto.

11.02.2017 - A Coluna Prestes em Aparecida

O autor narra a passagem da Coluna Prestes na vila a'Aparecida, hoje cidade de Bertolínia, sua terra natal.

11.02.2017 - porta calada

porta calada

10.02.2017 - João Crisóstomo da Rocha Cabral

O autor discorre sobre o jurista e poeta João Cabral e sua obra poética Palimpsestos.

09.02.2017 - UNIVERSOS PARALELOS - CRÔNICA ANTIGA

UNIVERSOS PARALELOS - CRÔNICA ANTIGA

09.02.2017 - Literatura é imagem, cena e metáfora

A literatura brasileira não tem uma grande tradição no tratamento de romances — ou prosa de ficção — metafóricos, sobretudo na questão política, optando, quase sempre pelo documento, a sociologia ou a antropologia e o panfleto.

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br