Dilson Lages Monteiro Sábado, 04 de setembro de 2010
LETRA VIVA  
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Gangsterismo na politica do Distrito Federal

 Cunha e Silva Filho


                                   Se o político brasileiro recebe o voto do eleitor para exercer um mandato, supõe-se que a sua investidura no cargo será exercida para lutar pelo bem público. Esta é a premissa, mas não é a regra no desempenho do candidato eleito.A regra há muito passou a ser a exceção. A porcentagem dos maus políticos já superou a dos bons, que são minoria e esta vai tendo cada vez mais menos força de se opor à maioria composta de políticos de fancaria, que estão no pode para alargar seus domínios econômicos, poder ter acesso a cambalachos no casamento espúrio entre eles e as empresas das quais muitas vezes são donos ou têm certa ligação com negócios de governos. Refiro-me aqui aos deputados chamados distritais e ao envolvimento deles com o mensalão distrital sob o suposto comando do governador de Brasília.. 
                               O governador José  Roberto Arruda, ex-DEM e, agora, sem partido, tem demonstrado que, pelo menos, detém prestígio através da dissuasão ( já que é o comandante-em-chefe do governo do Distrito Federal) de manifestações pelo uso da força bruta contra estudantes ou quaisquer outros tipos de manifestantes a ponto de transformar os confrontos em cenas que mais lembram os sombrios anos da Ditadura Militar no apogeu da repressão. Onde já se viu um oficial superior cair no braço com manifestantes? A cena é patética e ao mesmo tempo tragicômica.
                               Os mensaleiros distritais até agora têm feito tudo para driblar procedimentos regimentais, usar da lei, entrar na justiça, enfim, encontrar todas as brechas da legislação como quase sempre tem acontecido no país desde os tempos dos meirinhos do Brasil Colônia. O país, apesar de já estar sendo festejado, aqui e no exterior, como a futura potência mundial, ainda continua sendo uma nação com sérios e graves problemas em muitos setores, sobretudo nos setores da educação e da saúde pública – terra dos modernismos  culturais e de  assimetrias arcaícas coexistentes de Norte a Sul. 
                              Apesar das fortes críticas partidas do novo presidente da Ordem do Advogados do Brasil (OAB),  Ophir Cavalcanti, e da sua afirmação de que já encaminhou ações legais com vistas a bloquear os bens de Arruda e ainda de responsabilizar o governador na justiça caso se comprove seu envolvimento em subornar testemunhas a fim de livrá-lo de ser o mentor e o chefe na distribuição de grosso dinheiro público a seus correligionários do legislativo e no recebimento de propinas oriundas de licitações fraudulentas de empresas privadas que transacionam com seu governo.
                             Conforme lemos na imprensa, são vários os deputados ligados ao governo beneficiados regiamente pelo governador, seja de forma direta, seja indireta, i.e., através de amigos e parentes de deputados que apoiam o governador. O quadro é assustador e não afasta a possibilidade de que, ao final do banquete pantagruélico, a gente seja brindado com a vitória da corrupção deslavada e o fracasso da lei e da dignidade de uma nação.
                             Ora, quem vai compor a comissão para julgar os atos pelos quais o governador é uma maioria que, por sua vez, forma um agrupo grande de réus. Que bagunça é essa no poder legislativo do Distrito Federal, logo esse poder que propõe leis que deveriam melhorar a vida do cidadão de Brasília e o bem público? Não é possível que essa pantomima seja efetivada e saia incólume. O país e o povo de Brasília não merecem mais essa derrota da corrupção contra a moralidade política.     Esperemos que o povo honesto e consciente de Brasília se enfileire junto ao novo presidente da OAB e reaja com coragem e espírito cívico, sem badernas espalhafatosas, mas, ao contrário, com a força da lei e da dignidade da pessoa humana.

                             Que os brasilienses não sejam divididos na questão da honra do poder executivo. O país não pode transformar a sua política num estado mafioso e execrável diante da consciência nacional. Não pode mais haver espaço, a esta altura da evolução social brasileira, ainda que com as restrições atrás citadas, para os tempos de faroeste, de Al Capone e da Máfia italiana. 
 

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