Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
LETRA VIVA
Cunha e Silva Filho
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As águas pelo mundo afora

 


Cunha e Silva Filho

                      Não sou cientista, mas tenho os olhos voltados para o que me cerca. Não só no meu país, mas, no mundo, o que estou presenciando, ou melhor, vendo  claramente visto, é preocupante para o destino da Terra. 
                     Há poucos dias li uma reportagem sobre o Himalaia, que não é mais o mesmo, tem reduzidas drasticamente, em pelo menos, em duas décadas, as camadas de neve sobre ele. O que se vê são partes descobertas de gelo, mostrando a nudez da montanha. Isso é mais do que um sinal e, a bom entendedor, meia palavra basta. Só não enxerga quem não quer, ou se quer, se omite por irresponsabilidade ou por interesses esconsos de natureza vária e em escala mundial.
                     Repetidas vezes tenho declarado, por pura observação, por puro amadorismo – o que não significa - desídia ou desinteresse pela defesa de nosso planeta, que o aumento do calor da Terra não foi devido a razões comumente justificadas por certa visão científica, alegando que, na história do nosso planeta, já houve variações drásticas e destruição de fauna e flora. 
                   Contudo, o que não me parece exato é a forma como estão tratando o nosso mundo físico, o nosso solo, as nossas florestas, os nosso rios, a Amazônia. Continuam depredando o planeta com o aumento descomunal do CO2. Aumentando o efeito estufa, sufocando os nosso céus e terras, exaurindo nosso solo e subsolo até as suas camadas mais profundas, modificando a paisagem, fabricando os mais variados produtos em excesso para atender as mais diversas demandas da economia e da indústria, poluindo nossos mares e oceanos, o espaço físico da Terra começa a reagir aos açoites do homem global, do homem consumista, desses terráqueos de todas as raças, línguas, costumes e religiões que parecem desconhecer que os recursos naturais têm suas medidas ditadas pelas leis rígidas da Natureza..
                Como resultado, temos as mudanças bruscas de condições meteorológicas que, no passado, não existiam com tanta violência por parte da Mãe-Natureza. 
                 Vejam-se, por exemplo, o que tais mudanças trouxeram para a divisão das quatro estações, muito nítidas e precisas nos séculos passados e, hoje, infelizmente, escapam a esse antigo ciclo harmonioso, como se notava sobretudo no Hemisfério Norte.
                 Reparemos em nosso país como as condições climáticas se misturaram, parecendo mais um pandemônio da Natureza. As chuvas torrenciais que têm castigado impiedosamente o Brasil inteiro são mais que evidentes para concluirmos que o tempo mudou para pior e, o que é mais grave, tem causado milhares de mortes e prejuízos financeiros incalculáveis, desestruturando os lares, o comércio, as habitações, a normalidade da vida urbana ou rural Estamos diante de um quadro climático inimaginável se comparado com tempos passados.
                Países frios, como a Rússia, hoje sofrem altas temperaturas, provocando mudanças de condições de vida de seus habitantes, obrigando-os a procurar as praias, os lagos, as fontes, e até levando-as a mortes por excesso de calor e por afogamento em razão da corrida para as águas por causa das altas temperaturas que não conheciam antes.
               A região Sul do nosso país tem sofrido com a chegada de temporais devastadores, com ventos de velocidades semelhantes àquelas que sofrem os Estados Unidos com seus vendavais, tufões e furacões. 
               O clima mundial sofre de inversões jamais pensadas em tempos passados. As inundações que têm apresentado os rios em escala mundial têm uma natureza aproximada. Não são pontuais esses desgovernos do comportamento climático do planeta. Antes, há até uma relativa uniformidade de comportamento da Natureza.

               Essa aproximação, essa similaridade nos leva a algumas conclusões: 1)É preciso que os organismos internacionais responsáveis pelas condições do meio-ambiente se reúnam não para discussões estéreis que não têm levado a uma caminho seguro para a melhoria do nosso planeta; 2) os países mais ricos e mais devastadores dos recursos da Terra devem repensar suas políticas ambientais e encontrar uma forma de efetivar os pontos comuns encontrados para reduzirem o aquecimento global; 3) O tempo de soluções que possam conduzir a uma melhoria e salvação do planeta está se esgotando; 4) Os países, com suas ambições e seus individualismos sem limites, hão de pagar caro pela postergação do enfrentamento das reais alternativas que livrariam a Terra de um golpe final e sem volta.
              A Terra não é reduto de decisões de países que se arvoram em donos do mundo e não respeitam os limites dos recursos da Natureza, sejas de que espécie for. Segundo bem diz um provérbio inglês: “o tempo e a maré não esperam por ninguém.”
 

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