Dilson Lages Monteiro Domingo, 26 de março de 2017
LETRA VIVA - CUNHA E SILVA FILHO
Cunha e Silva Filho
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AVIDEZ PELO DINHEIRO, FALTA DE ÉTICA E SOLUÇÕES VIÁVEIS PARA O BRASIL

 

 

                                                                                                            Cunha e Silva Filho

 

 

         Tudo que se fez para desmoralizar a imagem do Brasil tem uma origem comum, ou melhor dizendo, tem um objetivo:a ambição desmesurada de nossos homens pelo dinheiro.Assim aconteceu com o Escândalo do Mensalão, do Petrolão, do Caixa 2, até chegar, entre outras maracutaias políticas, à Operação Lava-Jato que tem dado bons resultados com a prisão de vários figurões da política brasileira e do alto empresariado

           .Por último, mais um escândalo resultante da Operação Carne Fina realizada pela Polícia Federal para desbaratar os malfeitos produzidos por fiscais federais e grandes frigoríficos brasileiros, como a BRF, a JBS e o frigorífico Peccin Agroindustrial Ltda, em Curitiba. Desta vez, as ações criminosas têm um efeito ainda mais desastroso por estar pondo em risco a saúde da população brasileira consumidora de carne de boi, porco e de outros produtos comestíveis como salsicha, mortadela, aves e até ração animal.

         Um tal situação de desprezo de grandes agroindústrias pela saúde do brasileiro beira as raias da alta criminalidade com consequências danosas à economia do país, sobretudo às exportações feitas atualmente com 150 países. Pelo que se tem visto, a cultura da propina tem se alastrada pelos vários setores da máquina do Estado e, se providências urgentes não forem tomadas pelo Presidente da República, qualquer boa intenção que o atual governo tenha a fim de melhorar a crise econômico-financeira que ainda persiste forte entre nós estará fadada ao fracasso. Mais uma vez, já declarei em artigos anteriores que a maior crise do país é a ética.

        Como seria impossível mudar, da noite para o dia, o caráter de homens que servem ao governo federal ou que têm relações econômicas com esse governo, a única saída concreta é fazer valer o peso da lei contra organizações criminosas de colarinho branco. E, posto que a lei seja, em muitas situações ineficiente e parcial, ai de nós se não dispuséssemos dela. Seria a barbárie sem trégua e o caos do Estado.

       No caso em exame, implementar transformações profundas no campo da fiscalização de todos os setores do governo, podendo ser, para início de decisões governamentais, a punição rigorosa de funcionários que burlam a legislação fiscal a fim de permitir que crimes contra a saúde pública se proliferem no país. Fiscais inescrupulosos, que fazem vistas grossas às suas atribuições do cargo, devem ser sumariamente demitidos do quadro do funcionalismo e condenados pelos seus crimes, no caso específico, de pôr em perigo a saúde e a vida dos consumidores tanto no país quanto no exterior. Há que diga que as investigações foram algo precipitadas em apontar irregularidades nas empresas de frigoríficos.

      Alegando que a totalidade delas não foi investigada uma por uma , mas apenas casos pontuais de de crimes contra a saúde pública.Há, pois, que se aprofundar o assunto em todos os seus ângulos para que não sejam prejudicadas a imagem do país no exterior e internamente junto aos consumidores brasileiros . De qualquer maneira, é sempre indispensável o papel da Polícia Federal no cumpri mento de suas atribuições de investigar quaisquer práticas criminosas que venham afetar as instituições brasileiras, as suas exportações e o consumo interno.

       Em quase duas décadas o papel da Polícia Federal tem sido cada vez mais indispensável no sentido de tornar o Brasil um país mais transparente, mais moralizado e mais livre de criminosos identificados no meio político e nas várias instituições públicas e privadas. Se as investigações da Polícia Federal se mantiverem nesse nível de eficiência, é bem possível que, em médio prazo, governos e empresas privadas pensem duas vezes antes de cometerem crimes de lesa-pátria.

        Com a logística de que dispõem órgãos como a Polícia Federal na era do pleno funcionamento da informática avançada , indivíduos que almejem abraçar a carreira política ou que pretendam tornar-se altos empresários (o mesmo valendo para os médios, os pequenos e os microempresários), penso que atingiremos um nível de moralidade e de maior responsabilidade da parte dos dirigentes de nosso país. Retorno à questão da ética que, no país, tem andado no seu nível mais baixo.

      Vejo, no entanto, uma das saídas para atingirmos patamares de maior seriedade no gerenciamento tanto da coisa pública quanto do setor privado. Tal questão está muito ligada à ausência de certos valores que vão da família à educação. Em outras palavras, se não direcionarmos toda a nossa atenção à formação humanística de nosso jovens a fim de que possam cultivar conhecimentos, além das ciências e matemática,  língua portuguesa e línguas estrangeiras, as línguas clássicas (grego, latim), aqueles oriundos da filosofia (estudo do saber, do ser, do sentido da vida, do universo, "as causas últimas de todas as coisas," na afirmação de Aristóteles)), da sociologia (estudo da sociedade), da história (dos fatos e acontecimentos do homem no tempo), da geografia (estudo da natureza física e humana, diversidade do espaço), das artes (literatura, cinema,  teatro, música, pintura, dança, escultura, ), religiões (dimensão espiritual do homem).

       Tais disciplinas não podem ser excluídas do currículo do ensino médio sob pena de tornarem a formação do educando incompleta e falha. A antigamente chamada “educação integral” de que falava o educador português Mario Gonçalves Viana, está fazendo muita falta aos dias de hoje. Todas ela adaptadas ao tempos de globalização, ampliadas com os instrumentos modernos das conquistas do conhecimento adquirido pelo mundo virtual, uso planetário dos diversos meios de pesquisa e aquisição de conhecimentos de que dispomos atualmente.

       Basta ver a importância que o Google assume na pós-modernidade), como os celular, a internet, a imprensa virtual, os vídeos, os blogs, os sites, as redes sociais, entrelaçadas pelo meios eletrônicos cada vez mais sofisticados.

       Ao educador de todas as matérias curriculares, em trabalho conjugado e interdisciplinar competiria orientar os discentes, subsidiando-os, dentro do locus da sala de aula, com momentos de elocução que internalizem elevados princípios de práticas formativas (não apenas informativas) objetivando uma retomada do que sejam os reais valores de uma conduta social saudável e voltada para o respeito ao próximo, para os valores espirituais e para a necessidade imperiosa de conduzirem suas vidas com responsabilidade, integridade e, dedicação a um trabalho.Este último só    valeria a  pena se realizado com dignidade, retidão de caráter, altruísmo, sem os excessos da competitividade malsã e egoística tão prejudicial à vida social, ao convívio harmonioso entre os pares e a uma atitude de respeito à ética no trabalho, nos estudos, na universidade, nas pesquisas e nos cargos que jovens e jovens adultos venham a ocupar no futuro ao lado dos mais maduros e mais experientes.

    Se esses valores forem assimilados pelos jovens e adultos, é possível pensar com alguma esperança de ainda podermos viver num país que, se não atingir um nível de civilidade e de conduta social, por exemplo, de uma Noruega, uma Suécia, dele se aproxime, num tempo futuro no qual ninguém possa mais sentir o nosso país como uma nação deformada e aviltada em seus costumes políticos corrompidos, na violência desbragada, na indiferença pelo outro e pelo diferente, i.e., na ausência de urbanidade e civilidade. Ou seja, que não mais tenhamos que repetir indignados essa frase da boca dos que perderam suas esperanças de um Brasil melhor: “Que país é este?”

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