Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
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Gabriel Perissé
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A faxina presidencial

[Gabriel Perissé]

 
A imagem de Dilma Rousseff como faxineira do Planalto, limpando os ministérios, ganhou textos e charges na mídia recente. Hoje mesmo, nas revistas CartaCapital e Veja, no Estadão e na Folha, li várias vezes "faxina" associada à presidenta. De onde vem a palavra?

Provém do italiano fascina ("feixe de lenha", "braçada de lenha"), remetendo ao latim fascis ("feixe", "molho", "fardo"). Quando alguém lá pelos séculos XII-XIII tinha de carregar feixes de lenha para limpar um terreno, enfrentava um trabalho duro. Uma das acepções para "faxina", hoje: unidade de peso para lenha, equivalente a 60 kg.

Foi essa dupla noção, de limpeza estafante, que mais tarde deu ao termo "faxina" sentido de tarefa braçal cansativa, especialmente nos ambientes militares.

Entre o século XIX e o XX, saltamos do encarregado de faxinar (fazer limpeza geral) na caserna ou no convés de um navio para a faxineira de uma casa. Ao soldado e ao grumete, corresponde, na vida civil, a mulher da classe inferior que realiza os serviços mais "baixos".

No atual contexto político, a palavra foi promovida. É à própria presidenta da República que se atribui agora o trabalho pesado de deixar o palácio um pouco mais limpo... ou um pouco menos sujo.

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