Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
JANELA PARA A CRÔNICA
Antônio Francisco Sousa
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QUEM AVISA AMIGO É

     Não me considero um dinossauro cibernético, mas não me empolga muito essa febre de redes sociais. Os amigos (ou desconhecidos que me convidam a acompanhá-los por elas) que me desculpem pela não aceitação dos convites. Alguns e-mails diferentes já fornecem material suficiente para horas intermináveis de bate-papo on e/ou off-line.
     Dia desses, entretanto, fiquei curioso e, por que não dizer, interessado, em examinar o “perfil” @ Sophiaofdreams, que entendidos desconfiam ser falso (“fake”). Pois não é que o usuário do endereço conseguiu ser mais parlapatão do que alguns, que não ousaria chamar de xenófobos ou preconceituosos para não ofender os vocábulos, asnos, toleirões, paspalhões absolutos; sujeitos mal informados, analfabetos totais. Criar e postar as asnices que a figura manda ver, em relação a nós e a outrem, nem idiotas crônicos como as Mayaras Petrusos ou os Marauês Carneiros o fariam.
     Outro assunto me chamou a atenção pela puerilidade: um cidadão, tudo indica que jovem e bem informado, tentando justificar, segundo ele, a inevitável e irreversível substituição do livro de papel pelo virtual, apontava como uma das causas prováveis, um dos motivos plausíveis, o fato de os livros em papel provocarem incêndio. Se caírem em mãos de um bom piromaníaco, livros podem se transformar em eficientes tochas, antes ou depois de serem lidos. Na opinião do defensor do ebook, talvez isso não ocorra com este, porque ele é um equipamento perfeito, à prova de defeitos ou falhas.
     Não acrescentou o simpatizante do ebook, pois, certamente, não julgou relevante, que outros produtos, além dos livros, são feitos de papel e de outras substâncias inflamáveis. Sacolas plásticas, colchões de espuma derivada de petróleo, uma instalação elétrica mal feita, um guarda-roupa lotado, um veículo com vazamento de combustível, um botijão de gás, defeituoso; uma mata, um bosque ou uma charneca em época de baixa umidade e de muito calor, na mão de um piromaníaco de boa cepa ou, até mesmo sem sua ajuda, tudo isso pode ser matéria-prima para um incêndio fenomenal. Ora, ora. Se o livro virtual vier mesmo a substituir o tradicional, não será por sua capacidade antichama ou por aquele ser um estopim em potencial, mas pelas vantagens que conseguir comprovar em relação ao livro de papel.
     Enquanto tomava conhecimento dos assuntos precitados, simultaneamente, vi, aliás, todos vimos a constatação de uma obviedade: o povo paraense disse nas urnas que não acredita mais nas conversas, lorotas ou devaneios de alguns políticos. Foram anos tentando vender a ideia de que a salvação para o povo do Pará passava pela divisão territorial, política e administrativa do estado; não foi o que a população entendeu, tanto que disse não.
     Equivocaram-se ao pensarem que o povo não viraria as costas nem se negaria a aceitar falácias e bravatas dos que, à sorrelfa, gostariam muito mais de fartar-se com os milhares de fresquinhos nichos e benesses públicos que, à larga, à vontade, adviriam com a instalação dos novos estados – novas assembleias legislativas, novas câmaras de vereadores, novos tribunais de justiça, novos governantes, novos parlamentares; empregos públicos a dar com pau - do que se preocuparem com o bem-estar dos novos coestaduanos.
     Hipócritas ainda choram e se lamentam, não aceitando a traulitada que o povo, o sempre sábio povo, ministrou-lhes no cocuruto, ao não engolir as mirabolantes estórias de que, dividido, sim, o Pará e seus novos irmãos, Tapajós e Carajás, partiriam a jato, rumo ao desenvolvimento econômico, social e político.
     Demagogos, diante do fato consumado, mudaram o discurso: agora dizem que o resultado das urnas não surpreendeu, era mais do que esperado. Puxa, entregar o lombo às pauladas não parece atitude de pessoas inteligentes. Por que, então, submeter-se a um escrutínio plebiscitário já decidido? Será que um aviso não foi dado pelos paraenses? Que a partir desse pleito, o povo do velho e indivisível Pará exigirá dos gestores públicos, respeito, transparência; passará a cobrar de seus administradores distribuição equitativa de recursos e oportunidades por todos os rincões desse grande estado da Amazônia brasileira? Quem sabe com a história de divisão sepultada, não passem, também, a derrubar nas urnas pretensos gestores e parlamentares descompromissados com as causas da coletividade? Ah se isso se tornasse realidade nacional!
Antônio Francisco Sousa – Auditor-Fiscal e escritor piauiense (afcsousa01@hotmail.com)

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