Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
JANELA PARA A CRÔNICA
Antônio Francisco Sousa
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O BEIJO

     Um beijo com prazer e com sabor, para valer: o beijo de amor. Trocado, carinhosamente ou com calor, de mansinho ou provocador. Conseguido com paciência e firmeza, sem urgência: uma beleza!
     Beijando com conivência ou sem acordo do ente amado, pode não ser fruto da inocência, mas não é o mais mortal dos pecados. Beijar é um ato sublime, excetuando-se aquela traição: o beijo mais do que crime, o que entregou Nosso Irmão.
     Amai como vos amei; beijai-vos a cada momento. Bem que poderia ter dito isso o Grande Rei: Jesus Cristo, o primeiro Elemento.
     Muitos falam que o beijo é uma carícia mais que singela; porém, ainda que nos desperte outro desejo, não é a mais cruel das procelas. Onde beijar, como o fazer? Em todo e qualquer lugar, pouco importa o que venham dizer.
     A razão não interessa; o motivo tanto faz; que decorra de meras promessas ou de ritos bem carnais.
     Importante se estiver contente; satisfeito, se possível; mas não fique indiferente: beijar é, de fato, incrível. Ontem, hoje, amanhã e sempre, o ósculo é ato normal; intransferível, permanente, frio ou quente, calculista, pudoroso ou sensual.
     Beija a mãe ao filho amado; o pai, ao garoto esperto; os avós, os beijos melados, pela doçura dos netos.
     Conquistar, fazer o flerte. Despertar a louca paixão. Transformar num grande concerto, a taquicardia da emoção. Preencher momentos divinos; ocupar espaços macios; pousar nos lábios femininos no esplendor de um céu de estio. Sob sol abrasador ou debaixo de uma lua prateada, nada é tão acolhedor quanto as faces rubras amadas.
     Beijar tem sido assunto de teses bem controversas. O beijo pode ensejar reações das mais adversas.
     Ele não é adjunto, nem predicado ou sujeito: é o resumo do assunto, o que faz o período perfeito.
     Entendidos nesse tema, quando chamados a opinar, dizem pouco, pensando ser muito, se o querem conceituar.
     Para você seria o beijo a devastadora explosão que permite ao sangue o desejo de sair do coração? Ou, quem sabe, o responsável pela correnteza que leva ao ventre da fêmea a semente da natureza?
     Talvez caiam no vazio os que tentam defini-lo. O beijo, com o passar dos anos, fica mais ou menos tranquilo? Deixa de ser a febre inclemente que brota de um corpo ardente ou continua sendo a volúpia de um peito saudoso ou carente?
     O beijo que não se pode dar naquela boca proibida, mais que uma tortura é um penar: faz alguns quererem perder a vida.
     Beije tanto quanto puder; beije a torto e a direito. Pois o beijo, pode crer: é um carinho mais que perfeito.
                Antônio Francisco Sousa – Auditor-Fiscal e escritor piauiense (afcsousa01@hotmail.com)
 

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