Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
JANELA PARA A CRÔNICA
Antônio Francisco Sousa
Tamanho da letra A +A

CAMINHANDO JUNTAS

     Não pretendemos neste breve texto defender a Receita Federal, mesmo porque, do que mais a acusam, que é sobrecarregar o contribuinte com uma tributação escorchante, ela não tem qualquer culpa.
     Para os que ainda não sabem - quisera fossem apenas seus acusadores -, essa repartição fiscal não legisla sobre tributos, não cria nem altera alíquotas ou bases de cálculo, não majora nem alivia penalidades, não estabelece taxas de juros, não concede incentivos, favores nem benefícios fiscais; não cria elisões nem evasões tributárias lícitas; enfim, apenas cumpre, como órgão de estado que é, determinações legais e normativas emanadas do poder legislativo, representado por deputados e senadores, ou do poder executivo que, por aqui, é um dos principais legisladores.
     À Receita Federal do Brasil compete planejar, coordenar, supervisionar e executar atividades que levem à excelência a administração tributária federal, buscando providências para incrementar a arrecadação, mas visando fazê-lo de forma lógica, ética e democrática, otimizando recursos humanos, tecnológicos e logísticos, de modo que, abrangendo um universo maior de contribuintes, possa, com o menor grau de injustiça fiscal possível, prover o estado dos meios de que ele precisa para alavancar o desenvolvimento e cumprir as obrigações que lhe cabem enquanto organismo social e político.
     Para exercer suas atribuições a Receita Federal tem que se expor, não raro, à antipatia de todos os cidadãos e, mais especificamente daqueles que, sabidamente, se lhes fosse permitido legalmente evadirem-se de recolher os próprios tributos, sem nenhuma cerimônia o fariam, esquecendo-se, esses, voluntária ou hipocritamente, de que nenhuma nação sobrevive ou se faz grande sem a efetiva participação de seu povo, recolhendo os tributos devidos.
     Os vários sistemas desse órgão fiscal, todos ocupados por funcionários selecionados via concurso público, trabalham em conjunto para manter os créditos lançados pelo seu corpo de auditores, bem como para dar consistência e destinação inequívoca aos recolhimentos feitos espontaneamente pelo conjunto dos contribuintes.
     Os funcionários dessa instituição, na condição de servidores de estado e de representantes do Fisco Federal, procuram colaborar com o governo na elaboração de políticas fiscais e previdenciárias exequíveis, participando de projetos e eventos que visem despertar no cidadão seu espírito colaboracionista; nesses casos, invariavelmente, esforçam-se para fazer com que o governo tente evitar o cometimento de injustiças. Claro, nem sempre conseguem êxito nessa duríssima missão. A maioria de seu quadro de pessoal é composta de gente honesta, correta; mas, como em qualquer empresa, seja pública ou privada, nela também existem pessoas desonestas, incorretas, perigosas, que põem em risco a credibilidade e o trabalho dos bons servidores. Costuma ser assim: quando se descobre essa corja, ela é denunciada, julgada e, se condenada, punida.
      Ninguém tem dúvida de que a distribuição de rendas decorrente da arrecadação tributária e de outras fontes de riqueza e, notadamente, a aplicação desses recursos pelo poder público sejam as ideais, as mais democráticas ou justas.
      A Receita Federal, ao tempo em que é vista como um ente estatal dos mais antipáticos, ainda que muitas das razões que induzem a essa antipatia sejam falsas ou injustas, também o é como instituição pública das mais respeitadas. Muito contribui para que isso ocorra, a imparcialidade de que se vê revestido o trabalho que executa seu especializado quadro de recursos humanos e seu pátio tecnológico de boa qualidade.
     Ninguém gosta de ser fiscalizado, tampouco de ser cobrado quanto aos tributos que deve; porém, alguém tem que fazer isso para que a sociedade não seja prejudicada pela irresponsabilidade de uns e de outros. A Receita Federal está sempre tentando fazer com que injustiças fiscais e tributárias sejam minimizadas. Ás vezes, precisa ser dura: é seu mister. Como todos, ela quer ver convergindo, caminhando juntas, a Justiça Social e a Fiscal. 
        Antônio Francisco Sousa – Auditor-Fiscal e escritor piauiense (antonio_fcs@hotmail.com)
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

02.02.2012 - A inveja e a traição

03.01.2012 - LINGUARUDOS

13.12.2011 - QUEM AVISA AMIGO É

05.12.2011 - FALANDO SOBRE O FILHO DE DEUS

03.11.2011 - ASSIM É A VIDA

09.10.2011 - DEFICIÊNCIA VISUAL

03.09.2011 - ANTIPATIA UNIVERSAL

02.08.2011 - OUTRA VERSÃO

01.07.2011 - ADEUS, DOCE LAR

01.06.2011 - O BEIJO

02.05.2011 - PEDRO E SEU SONHO RECORRENTE

03.04.2011 - NEM SEMPRE A CULPA É NOSSA

03.03.2011 - POR UMA CAUSA

02.02.2011 - O FAZER MÉDICO

03.01.2011 - A GRANDE CAMINHADA

Ver mais

Dicionário de Escritores Entretextos Editora On-line
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos

Twitter

Carregando...
Últimas matérias

10.02.2012 - Planeta-Casa de América anuncia seus finalistas

Planeta-Casa de América anuncia seus finalistas

10.02.2012 - Traduções de Poe

Quando organizei minha antologia de 2010, Contos Obscuros de Edgar Allan Poe, minha idéia era publicar em português alguns contos que, apesar de muito bons, eram menos conhecidos

10.02.2012 - Menos ais, mais vivas e satisfações, leitor!

Os hedonistas geralmente são alvos da crítica pelo apetite ao prazer

10.02.2012 - O contador de histórias

Nunca se soube se ele sabia ler e escrever.

10.02.2012 - Cidades Maranhenses recebem novas bibliotecas

Cidades Maranhenses recebem novas bibliotecas

10.02.2012 - Tentando entender o Brasil e o mundo

Mais um componente desfavorável desponta

10.02.2012 - A morte de Maurice Girodias, em 1990

O dono da famosa editora Olympia Press, de Paris, sofreu aos 71 anos um enfarte quando estava sendo entrevistado, ao vivo, numa emissora de rádio francesa

10.02.2012 - Lucilene Gomes Lima: FICÇÕES DO CICLO DA BORRACHA NO AMAZONAS

Estudo comparativo dos romances A selva, Beiradão e O amante das amazonas

10.02.2012 - cronicasdesabado - nosso noticiário etc.

cronicasdesabado - nosso noticiário etc.

09.02.2012 - Antônio de Pádua é eleito titular da Cadeira 48 da ALRESC

Antônio de Pádua é eleito titular da Cadeira 48 da ALRESC

09.02.2012 - Jennifer Egan na Flip

Jennifer Egan na Flip

09.02.2012 - Lucilene Gomes Lima: FICÇÕES DO CICLO DA BORRACHA NO AMAZONAS

Escritores brasileiros abordaram amplamente os ciclos econômicos através de sua prosa.

08.02.2012 - O amante das amazonas: o ciclo sob o olhar de um analista-autor

Dissertação de mestrado: Estudo comparativo dos romances “A selva” (FERREIRA DE CASTRO), “Beiradão” (ÁLVARO MAIA) e “O amante das amazonas” (ROGEL SAMUEL),

08.02.2012 - Manual da criança Caiçara

Manual da criança Caiçara

08.02.2012 - Em memória do cantor e compositor Wando

A arte que resiste às estritas classificações de gêneros de produtos de cultura: [1] tradicional-popular (artesanal, folclórico); [2] erudito (erudito-clássico e erudito-vanguardista); e [3] pop (anticlássico, de ampla audiência)

LABORATÓRIO DE REDAÇÃO PROF. DÍLSON LAGES
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Loja 21 (segundo piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br