Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 18 de maio de 2012
JANELA PARA A CRÔNICA
Antônio Francisco Sousa
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A GRANDE CAMINHADA

     Não há como negar que o matrimônio demarca o fim de uma etapa. O início de um período de felicidade continuada; um renascimento. Não deixa de ser, também, o começo de uma época de redescoberta e de provação.
     Ao respondermos as perguntas do sacerdote ou juiz estaremos abrindo as portas de um novo mundo. O que vivemos, antes, ganha sentido e valor diferentes, ao dizermos sim a Deus. Todavia, mesmo prometendo seguir as recomendações do Pai, muitas vezes não conseguimos e fraquejamos.
     Pecamos e falimos quando, quebrados juramentos feitos, fazemos com que o lar almejado para nós e nossos descendentes, se desmantele como um jogo de montar. E coabitá-lo passa a ser tarefa ainda mais árdua.
     O que acontece, geralmente, é que a convivência iniciada após o dia em que nos comprometemos a ser um só pensamento em duas cabeças que pensam diferentes, leva-nos, não raro, a confundir o desejo do outro com o nosso. Não é incomum percebermos, às vezes tardiamente, que aquilo que pensamos em realizar ou lutamos para que não acontecesse, nem sempre foi sonho da pessoa a quem nos unimos, mas a simples manifestação de nossa vontade.
     Conviver, à primeira vista, parece um ato de extrema coragem; depois, converte-se numa experiência maravilhosa. Pois, ou ela nos confirma como seres humanos autênticos: que vivem intensamente, sem tomar o espaço do outro; ensina-nos a socializar a fartura, suportar a escassez, minimizar os impactos causados por um egoísmo exacerbado ou, então, deixa que ele nos arrebate. Quando isto ocorre, a vida em família transforma-se em um caos.
     Talvez o maior defeito de um casamento não apareça com o passar do tempo, até porque alguns se acabam antes de começarem, efetivamente; essa falha surge, cremos, quando queremos que o companheiro que se uniu a nós esqueça que teve um passado; desista de todas as ambições; renegue sua personalidade e caráter.
     Precisamos aprender a ouvir, voltar atrás, aceitar que erramos ao nos darmos conta de que por única e exclusiva deliberação, construímos um inferno e fizemos dele nossa moradia familiar.
     Nunca é tarde para reiniciarmos o caminho do qual deixamos a relva do tempo e do descaso se apossar. A hora de dizermos sim não se consuma quando damos as costas ao sacerdote ou juiz e partimos para a festa; na verdade, ali começa nova e grande caminhada rumo ao principal objetivo de toda pessoa humana: ser feliz.

     ANTÔNIO FRANCISCO SOUSA – Auditor-Fiscal e escritor piauiense (antonio_fcs@hotmail.com)
 

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