Dilson Lages Monteiro Sábado, 27 de maio de 2017
DIÁLOGOS COM A HISTÓRIA - REGINALDO MIRANDA
Reginaldo Miranda
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Raimundo Artur de Vasconcelos

Raimundo Artur de Vasconcelos

 

Hoje desejamos realçar a personalidade do ex-governador Raimundo Artur Vasconcelos, nascido na antiga vila de Barras do Marataoan, hoje cidade de Barras(PI), no dia 29 de maio de 1866. Foram seus genitores o capitão José Raimundo de Vasconcelos e D. Rosa Regina de Caldas Vasconcelos. Casou-se em primeiras núpcias com Maria Luiza Nogueira e em segunda núpcias com Amélia Mendes Nogueira(1896), esta filha do coronel Lizandro Francisco Nogueira, prestigioo chefe político piauiense e de sua esposa D. Belise Mendes Nogueira. Faleceu em 31 de outubro de 1922, na cidade de Rio de Janeiro.

              Engenheiro, militar e político, ainda moço abraçou a carreira das armas, sentando praça no Exército em 4 de setembro de 1883, na cidade de Teresina(PI). Dois anos depois seguiu para a cidade do Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Militar. Por esse tempo ali pontificava o mestre Benjamim Constant, em verdadeira pregação republicana. Raimundo Artur de Vasconcelos, que já trazia no sangue o germe republicano, vez que era sobrinho materno do jornalita David Caldas, maior expressão da causa republicana no Piauí, não demorou a ser atraído para a causa.

          Em 1889, na qualidade de alferes-aluno tomou parte ativa na preparação do golpe que derrubou o Império. Tamanho foi o seu ardor republicano que já em julho daquele ano figurou numa lista de oficiais que deveriam ser demitidos do Exército por causa de sua extensiva participação nos festejos do dia 14, quando, nas ruas, enfrentaram a polícia, que tentou dispersar a manifestação. Pertencia ele então à famosa corte que na madrugada de 15 de novembro constituiu a vanguarda da 2.ª Brigada. Em virtude dessa ativa participação na derrubada do império, com a consolidação do regime republicano recebeu duas promoções no intervalo de apenas três dias: 2.º tenente por decreto de 4.2.1890 e 1.º tenente no dia 7 do mesmo mês e ano. Essas informações foram colhidas pelo notável historiador Monsenhor Chaves, seu melhor biógrafo.

               Em seguida veio ao Piauí. Todavia, verificando que as cousas aqui pouco haviam mudado denunciou o fato ao Diretório do Partido Republicano, no Rio, onde gozava de largo prestígio Como consequência, foi, de fato, efetivada a mudança de regime no Piauí, com a adesão, é claro, dos monarquistas. Em reconhecimento os republicanos piauienses lhe ofereceram uma vaga de deputado estadual que não pôde aceitar por recusa de licença do Exército. Pertencia à Artilharia do Exército.

Continuando os estudos, Raimundo Artur de Vasconcelos bacharelou-se em matemática, ciências físicas e naturais e concluiu o curso de engenheiro militar em 1891. Nesse ano tomou partido ao lado do vice Floriano Peixoto na cisão republicana que levou à renúncia do presidente Deodoro da Fonseca, em 23 de novembro e a consequente assunção daquele.

           De regresso ao Piauí, tomou parte ativa na política ao lado do capitão Coriolano de Carvalho e Silva(1858 – 1921), seu conterrâneo de Barras, que assumiu o governo do Piauí em 11 de fevereiro de 1892, em virtude de aclamação popular. Foi nomeado engenheiro-chefe do 9.º Distrito Telegráfico, trabalhando primeiro no Piauí e depois no Ceará. Em 1893, foi promovido a capitão e adido ao Batalhão Acadêmico.

             Em 1894, mais uma vez retornando ao Piauí vai eleito deputado federal em dezembro do mesmo ano. Retorna, assim, ao Rio de Janeiro, no desempenho do mandato parlamentar. Por esse tempo sofre rude golpe com a morte da esposa e de seu filho primogênito.

         Em 7 de abril de 1896 vai eleito governador do Piauí, sendo empossado em 12 de junho do mesmo ano. Embora sua eleição tenha sido pacífica, sem oposição, cedo acirraram-se os ânimos contra seu governo. Foi este marcado por uma séria crise na economia do Estado, sobretudo na agricultura, com escassez de alimentos e de mão-de-obra, essa última afetada pelos inúmeros contingentes de voluntários para o exército e a vertiginosa emigração para a Amazônia. Sem apoio financeiro do governo central, propôs uma série de medidas enérgicas e impopulares, como a redução da força policial do Estado, transformação do Liceu em Escola Normal, redução do número de cadeiras do ensino primário, redução de despesas na repartição de Obras Públicas, redução de comarcas e supressão de vencimentos dos juízes distritais. Felizmente, muitas dessas medidas não foram efetivadas dada a resistência dos setores prejudicados e falta de apoio popular.

                Porém, durante essa gestão administrativa foi instalado o Tribunal de Contas do Estado(TCE), em 1º de agosto de 1900.

            Findo o seu governo vai novamente eleito deputado federal em 1900, cujo mandato se estende até 1904. Nesse último ano vai eleito senador da República. No Senado participou das Comissões de Marinha e Guerra, de Obras Públicas e de Empresas Privilegiadas. Depois desse último mandato caiu em ostracismo político, não mais se elegendo para qualquer cargo público.

               Dedicou os últimos anos de sua vida à profissão, executando obras de vulto como a ponte pênsil “Almirante Alexandrino de Alencar”, que ligava a Ilha das Cobras ao continente, no Rio e Janeiro, inaugurada em 1915 e funcionando até 1930, quando foi substituída pela “Arnaldo Luz”.

            Na carreira militar continuou prosperando. Foi promovido a major graduado em 1907, major efetivo em 1908, tenente-coronel graduado em 1912, coronel graduado em 1918, coronel efetivo em 1919 e, finalmente às vésperas da morte foi reformado no posto de general.

             Raimundo Artur de Vasconcelos foi um grande piauiense, que com suas múltiplas atividades, em todas elas vitorioso, soube honrar o seu povo e engrandecer a sua terra. É a razão dessa homenagem.

 *  Este perfil foi publicado inicialmente no jornal Meio Norte, de Teresina.

  ** REGINALDO MIRANDA, é advogado, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras. 

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