Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 29 de maio de 2017
DIÁLOGOS COM A HISTÓRIA - REGINALDO MIRANDA
Reginaldo Miranda
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Capitão Francisco Pereira da Silva

Capitão Francisco Pereira da Silva

Hoje vamos acender luzes sobre a memória de um antigo ancestral, que viveu no período colonial, o abastado fazendeiro, militar e político Francisco Pereira da Silva.

Ele nasceu e viveu toda a sua existência na fazenda das Mutucas, depois rebatizada de Malhada, no médio curso do rio Piauí, então termo de Oeiras, depois, sucessivamente, de São Raimundo Nonato, São João do Piauí, Canto do Buriti e, atualmente, de Brejo do Piauí. Era o penúltimo dos nove filhos do casal de colonizadores portugueses que entrou no Piauí e se estabeleceram na referida fazenda logo depois da instalação da vila da Mocha(1717), descendente do ilustrado clã dos Pereira: Antônio Pereira da Silva, cavaleiro da Ordem de Cristo e sua esposa Maria da Purificação. Para informação do leitor, foram seus irmãos os que seguem em ordem decrescente de idade: 1. José Pereira da Silva (1.º do nome), fazendeiro, membro da Junta Trina de Governo(1789), foi casado com Maria Josefa Alves da Fonseca; 2. Manoel Caetano Pereira da Silva, fazendeiro, em 8.1.1774, na matriz de N. Sra da Vitória, casou-se com Rosa Maria da Silva, filha de Manoel do Rego Monteiro e D. Maria Teixeira de Andrade; 3. Capitão Antônio Pereira da Silva, seu sócio em empreendimentos agropecuários, também membro da Junta de Governo e sobre quem escreveremos algumas notas; 4. Josefa Maria da Conceição, foi casada com Hilário Vieira de Carvalho(2º); 5.  Maria Pereira da Silva, foi casada com José Vieira de Carvalho(irmão do antecedente); 6. Leandra Maria de Jesus, casada com Ignácio Rodrigues de Miranda; 7. Simoa; e, 9. Padre João José Caetano Pereira da Silva, residente na fazenda das Mutucas, coadjutor na freguesia de N. Sra. da Vitória(informações de 29.1.1784 e 30.8.1800).

Na carreira militar, desde cedo sentou praça nas tropas da guarnição do Piauí, requerendo confirmação da carta patente no posto de alferes da Companhia de Cavalaria Auxiliar, em 20 de abril de 1796; em 25 de setembro de 1801, solicita confirmação na patente de capitão de ordenanças do 2.º Regimento de Cavalaria Miliciana da Guarnição do Piauí, cujo posto já exercitava por nomeação do capitão-general do Estado.

O capitão Francisco Pereira da Silva exerceu os mais elevados cargos públicos em sua terra, inclusive o de Provedor da Real Fazenda e dos Ausentes, no ano de 1797; nesse mesmo ano, também no exercício do cargo de vereador do Senado da Câmara de Oeiras, que exerceu por diversas vezes, e juiz ordinário mais velho da mesma câmara foi alçado a ouvidor-geral da Capitania e, por força do cargo, exerceu a presidência da Junta de Governo do Piauí, inscrevendo-se assim, entre os governantes da Capitania do Piauí. Nesse aspecto, substituía o irmão Antônio Pereira da Silva(2º), que exerceu os mesmos cargos no exercício anterior.

Em face do exercício desses cargos públicos e por conta de perseguições políticas, no início do ano de 1801, esteve por alguns dias preso em São Luís do Maranhão, a exemplo de muitos outros políticos piauienses do período, logo mais conseguindo a sua liberdade.

Porém, o maior destaque do capitão Francisco Pereira, foi na atividade pecuária e na exploração de seu comércio, de que foi sócio com o referido irmão Antônio Pereira da Silva, estando eles entre os maiores criadores piauienses do período. De 1782 a 1784, foi juntamente com o mesmo irmão, arrematante dos dízimos da freguesia de Oeiras. No ano de 1800, exportaram juntos somente de suas fazendas estabelecidas na freguesia de Jerumenha, inclusive a Rio Grande, hoje cidade de mesmo nome, 380 cabeças de gado vacum para a cidade de São Luís do Maranhão.

Em 9 de janeiro de 1775, na fazenda Buriti, também no vale do rio Piauí, casou-se com Izabel Francisca Soares(em alguns documentos aparece Izabel Maria da Conceição), filha de Manoel Ribeiro Soares, então falecido e de Maria Josefa de Jesus, portugueses, senhores da fazenda da Onça, no rio Piauí; foram padrinhos do matrimônio, seus parentes Ignácio Rodrigues de Miranda e Antônio Pereira de Miranda, donos da fazenda em que foram celebradas as bodas. De seu consórcio deixou o capitão Francisco Pereira da Silva, sete filhos, a saber: 1. Comendador Valentim Pereira da Silva, chefe político de Jerumenha; 2. Maria Josefa da Conceição, foi casada com o major Antônio Pereira da Silva(3.º), Prefeito de Jerumenha ao tempo da Balaiada; 3. Teresa de Jesus Maria, que foi casada com o coronel Joaquim de Sousa Martins, Governador das Armas e irmão do Visconde da Parnaíba; 4. Isabel Brígida da Purificação, foi casada com o T.te-C.el Inácio Francisco de Araújo Costa; 5. Ana Pereira da Silva(Donana), foi casada com o T.te-C.el. Francisco Manuel de Araújo Costa, irmão do antecedente; 6. Major José Pereira da Silva (bat. 25.7.1781), residente na fazenda Malhada, foi casado com a prima Inês Maria do Nascimento; e, 7. Rita, batizada em 29.12.1787.

Quando o governador Carlos César Burlamaque foi injustamente preso no Maranhão, o capitão Pereira foi um dos que se manifestou em abaixo-assinado em seu favor.

Em outubro de 1811, em face de pedido do governo, concorre com mantimentos e cavalgaduras para suprir a tropa capitaneada por José Dias Soares, no combate aos índios Pimenteiras, nas cabeceiras do rio Piauí (CABACap. Cód. 161, p. 149/149v).

São essas algumas notas sobre esse importante criador, militar e político piauiense, que viveu toda a sua vida no Piauí, tendo co-governado a Capitania.

(Diário do Povo, 10.11.2016).

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