Dilson Lages Monteiro Segunda-feira, 29 de maio de 2017
DIÁLOGOS COM A HISTÓRIA - REGINALDO MIRANDA
Reginaldo Miranda
Tamanho da letra A +A

A Revolução do Daguerreótipo

A Revolução do Daguerreótipo

No mês de agosto de 1839, em sessão conjunta das academias de Belas-Artes e de Ciências, deu-se em Paris a comunicação oficial da invenção do daguerreótipo, evento anunciado no Brasil por meio de uma notícia veiculada no Jornal do Comércio, do Rio. Porém, ainda não conseguia registrar a imagem de objetos em movimento.

No entanto, para alegria de seu inventor Mandré Daguerre, ainda em 1839, de maneira acidental consegue ele retratar o primeiro ser humano, ao visar a imagem de um bulevar em Paris. Estava, assim, completada a invenção, necessitando apenas de pequenos aperfeiçoamentos. Esse invento fora recebido com euforia em todo o mundo, como símbolo de modernidade, vez que antes, somente a preço altíssimo, através de litogravuras, pinturas, esculturas e aquarelas se reproduziam imagens.

O Brasil absorve com rapidez o novo invento, por obra e graça do imperador Pedro II, primeiro fotógrafo brasileiro, primeiro soberano-fotógrafo do mundo. Ainda em dezembro de 1839, um francês radicado em S. Paulo, Hércules Florence divulga o resultado de suas experiências com o novo aparelho. Em março de 1840, o imperador adquire seu equipamento de daguerreotipia, antecipando-se em oito meses à sua comercialização no Brasil e já em 1841, se exercita na nova arte. Por esse tempo o Jornal do Comércio (edição de 17.1.1840) noticia de maneira eufórica a existência do primeiro ensaio fotográfico brasileiro, ocorrido na hospedaria Pharoux, no Rio de Janeiro. E dessa forma, o invento se populariza no Brasil.

Sempre primando pelo pioneirismo, o imperador Pedro II, em 8 de março de 1851, concede seu imperial patrocínio a um fotógrafo, e em seguida confere o título de Fotógrafo da Casa Imperial a Buvelot & Prat, antecipando-se dois anos à rainha Vitória, da Inglaterra, conforme lembra a historiadora Lilia Moritz Schwarcz, em seu livro As Barbas do Imperador. Era seu desejo divulgar a imagem de modernidade de seu reino.

Em pouco tempo a Corte estava repleta de novos especialistas que, logo passam a outras capitais e até cidades do interior. Entre 1840 e 1855, daguerreotipistas ou fotógrafos itinerantes visitam várias localidades em busca de clientela na aristocracia rural brasileira, revelando imagens interessantes. Na década de sessenta um importante filão são os fazendeiros do vale do Paraíba, de Minas Gerais, Bahia, etc.

Na busca de novos clientes invadem o nordeste, chegando a Teresina e cidades do interior com seu novo invento. A clientela era sempre os fazendeiros e suas famílias. Ao que sabemos, o primeiro fotógrafo que andou no Piauí foi o dinamarquês John D. Sörensen, em princípio do ano de 1872. Percorreu o vale do Gurgueia fotografando diversos representantes da sociedade rural piauiense. Deixou em Jerumenha um seu retrato com dedicatória a um nosso parente datado de 2 de fevereiro daquele ano (a cópia ilustra a presente matéria). Em 1883, foi a vez do fotógrafo francês E. B. Brobié visitar o Piauí, percorrendo várias cidades do interior. Estava, assim, o Piauí inserido na rota dos fotógrafos itinerantes e no contexto da fotografia.

Evidentemente, a realização de pesquisa nos arquivos relativos à segunda metade do século XIX, principalmente nos jornais da época, deve trazer mais alguns dados sobre esse assunto. Para o momento, são essas as informações disponíveis.  

(Meio Norte, 2.2.2007).

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

28.05.2017 - Palmas para o Tocantins

27.05.2017 - Feitosa, dos Inhamuns

25.05.2017 - Teresina

21.05.2017 - Odilon Nunes e a construção de nossa história.

21.05.2017 - O lírico e telúrico em Elmar Carvalho

20.05.2017 - Capitão Antônio Pereira da Silva

18.05.2017 - Capitão Francisco Pereira da Silva

16.05.2017 - Tenente Manoel Pacheco Tavira

14.05.2017 - Uma história de Picos

13.05.2017 - Cachoeira do Roberto

11.05.2017 - Honório José Teixeira

10.05.2017 - Caetano José Teixeira

09.05.2017 - Assembleia Legislativa do Piauí - 180 anos

30.04.2017 - A Revolução do Daguerreótipo

26.04.2017 - Afrânio Nunes

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

28.05.2017 - Incursão à Fazenda Bom Gosto (Século XVIII)

Incursão à Fazenda Bom Gosto (Século XVIII)

28.05.2017 - Versos de Moradora no Harém

Poetisa Amante

28.05.2017 - Palmas para o Tocantins

O autor discorre sobre participação piauiense na Feira Literária Internacional do Tocantins (FLIT), realizada em julho de 2011.

27.05.2017 - A questão da pós-verdade e suas consquências danosas à ética individual e coletiva do mundo globalizado.

O tema escolhido

27.05.2017 - Feitosa, dos Inhamuns

O acadêmico Reginaldo Miranda analisa a obra genealógica do escritor Aécio Feitosa, que escreve sobre a importante família Feitosa, dos Inhamuns.

26.05.2017 - ROGEL SAMUEL: TEORIA DA CRISE

ROGEL SAMUEL: TEORIA DA CRISE

26.05.2017 - POEMA 'ÁGUA FRIA'

poesia

26.05.2017 - O RIO NEGRO

O RIO NEGRO

25.05.2017 - Teresina

O acadêmico Reginaldo Miranda escreve sobre a cidade de Teresina, capital do Piauí, por ocasião da outorga da Comenda Conselheiro Saraiva.

25.05.2017 - A enigmática Etrúria

Desprezada por muitos leitores, a Arqueologia é uma Ciência que vale a pena ser estudada pelos leigos, pois se revela muito interessante.

25.05.2017 - EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

EM BUSCA DA POÉTICA DE J. G. DE ARAÚJO JORGE

24.05.2017 - O dia em que saí no Ibrahim Sued

Era a sexta-feira do dia 17 de maio de 1985

23.05.2017 - UM AMIGO DE INFÂNCIA

No dia seguinte ao da mudança para a nossa pequena casa dos Campos, em Parnaíba, em 1896, toda ela cheirando ainda a cal

23.05.2017 - Fraternidade Espiritualista Universalista

Em pleno cerrado de Goiás...

22.05.2017 - Um livro infantil de Irá Rodrigues

A literatura infantil é parte importante de nossa cultura, pois devemos estimular nossas crianças ao saudável hábito da leitura.

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br