DELEITURA
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Luiz Filho de Oliveira
O poema abaixo não aconteceu por ocasião da morte desse jovem estudante morto na sala de aula por uma bala perdida. Não fiz poesia de acontecimento, a despeito de poder fazê-la. Por que não poderia sê-lo? Sem problemas. Não tenho nenhum deles com Carlos, só alguma poesia.
Por isso, este escrito: este poema já era vivo muito antes desse caso horrível, já estava escrito nos cadernos de minhas aulas de poesia (recebidas por ocasião de minha vinda a este sítio humano), já era grito & espanto há tanto tempo. Assim se-fez: um céu turvo de sangue de quanto mais vítima dessa catástrofe, que se-chame de “guerrilha urbana”. E é nesse Rio de Janeiro que governos brasileiros desejam fazer uma copa e outra olimpíada: piada infame. Me-lembra Tosh, incendiário: Politrick! Escrito também: Polititica!
Por tanto horror, este poema já estava escrito no quadro negro da educação brasileira, não com o lápis que o menino tinha às mãos, mas com as teclas que denunciam a falta de educação da polititica brasileira! Privado o público mais uma vez. Portanto, este poema:
Escolas públicas com o público privado da entrada
As carteiras são vagas para pobrezinhos,
mas estão vagas após uma bala ser achada
na sala, dentro do cérebro dum menino;
e, hoje, nela, há vermelho um quadro ainda,
escrito com palavras de política partida:
os professores estão em greve, na praça antiga.
E montam guarda (à noite) nas tavernas,
com paus, pedras, coquetéis e poemas;
desenrolando o Brasil a mesma gente lesa!
Olá, Luís, parabéns pelo poema-protesto. Sobre a terrível morte da Srta. Salmudiu eu produzi a seguinte matéria-protesto, neste Entre-textos, muito menos contundente do que a sua, até porque você escreve melhor do que eu: http://www.portalentretextos.com.br/colunas/recontando-estorias-do-dominio-publico/a-flor-do-maracuja,236,4398.html. Por eu ter ficado em estado de choque - de resto, como toda a sociedade ficou, mas você é uma forte pessoa! -, nada escrevi neste Entre-textos sobre a tragédia: isso é demais (a Srta. Salmudio "pelo menos" arriscava-se em companhia de criminosos, o que não justifica o bárbaro homicídio, mas Wesley estava sentado em carteira escolar, concentrado nos estudos, fazendo o que a sua professora pedagogicamente lhe solicitou que fizesse). Isso é demais, repito. Veja isso, por favor (notícias atinentes): "Cabral [Sérgio Cabral Filho, governador do RJ] pede desculpas, mas não vai a enterro de Wesley" (http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/posts/2010/07/18/cabral-pede-desculpas-mas-nao-vai-enterro-de-wesley-309066.asp, onde consta o seguinte comentário: "Quando o menino João Hélio foi arrastado pelas ruas e assassinado por um bando de facínoras, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o então comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Angelo, foram à missa de sétimo dia, na Candelária. De folga, eu os encontrei lá e depois segui na caminhada de protesto na Avenida Rio Branco. Na ocasião, elogiei as autoridades por seu feito, que não me lembrava de ter visto em gestões anteriores. Era o início do governo Cabral." (JORGE ANTÔNIO BARROS) LEGENDA DA FOTO QUE ILUSTRA A MATÉRIA: O pai de Wesley (à esquerda): "Cumpri meu dever, que foi matricular meu filho, mas o Estado não fez a parte dele, que era garantir a segurança pra ele". Veja, ainda, o seguinte pronunciamento do pai de Wesley: "O corpo de Wesley Gilbert Rodrigues de Andrade, 11, foi sepultado no final da manhã deste sábado, no cemitério de Irajá, zona norte do Rio. Colegas e professores do Ciep Rubens Gomes, onde o menino estava quando foi atingido no peito por uma bala perdida, na manhã de ontem, disseram estar traumatizados e sem saber como voltarão à escola. No vídeo abaixo, da TV UOL, o pai, o caixa de restaurante Ricardo Freire de Andrade, 31, criticou o governo do Estado e disse que o governador só tomará providências 'quando acontecer com o filho dele' " (http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/videocasts/768525-pai-de-menino-baleado-dentro-de-escola-no-rio-critica-governador.shtml). Além disso, há os procuradores do RJ que, no Fórum do Estado do RJ, sob a orientação do governador do RJ, impedem que avancem processos que terminarão em pagamentos legítimos de quantias ilegalmente subtraídas de viúvas muito idosas de servidores infelizmente já falecidos (sentenças perfeitas, favoráveis às velhinhas roubadas por Garotinho Mateus, foram prolatadas em Primeira Instância), fazendo com que a Justiça seja feita DEPOIS DOS FALECIMENTOS DAS VÍTIMAS! Boris Casoy, querido Boris Casoy: "ISTO É UMA VERGONHA", noticie tudo isso, eu peço a você! Minha mãe, que é bem defendida no âmbito do SINFRERJ, junto com outras viúvas que foram vítimas de ilegalidades do governo Antony "Propinoduto de Silveirinha" Garotinho Mateus, acabaram de receber uma decisão desfavorável, em nível de apelação, depois de terem obtido vitória na primeira instância. Confesso que não guardei forças físicas para me opor a governador, nem em pensamento: estou em estado de choque, aterrorizado. Ele que seja feliz e que o pai dele, o grande brasileiro Sérgio Cabral, seja poupado de qualquer aborrecimento, por menor que seja! Sérgio Cabral Filho talvez esteja certo. Desejo saúde também ao filho de Sérgio Cabral, coitado. Mas Deus está vendo: diferentemente dos mortais, não fica Ele em estado de choque, enquanto, absolutamente aterrorizado é assim que estou (é importante não "somatizar" o horror em câncer, afinal, a vida é bela, apesar dos pesares...). "VIDA CONTRA MORTE"! (Dr. Norman Oliver Brown, 1913 - 2002) [Minha mãe tem 92 anos de idade e começou a trabalhar com quinze anos de idade, porque os seus pais estavam com dificuldades financeiras, em contexto histórico de grave crise econômica mundial do início dos anos 1930.]
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