DELEITURA
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O poder do Poeta continua sendo a Boca dos Infernos
Pode o Poeta,
Ser rico,
ser pobre;
que não é de cobre
a Sua amizade –
é mais forte! –
é honesta!
Pode o Poeta,
por palavras,
pôr pedradas
em Sua fala ao inimigo,
que só irá atingi-lo
e desfigurá-lo
a metáforas!
Pode o Poeta,
andar térreo,
andar nas nuvens,
de jeito meio aéreo;
qu'inda é dos Infernos
a Sua Boca de Guerra:
"Mato-os!"
Pode o Poeta,
colar de prata & pena,
colar, em Seu poema,
um mote dum Mestre velho,
que lerá seco Seu verbo,
pela pilhéria com veneno
aos vermes!
Pode o Poeta,
a licença poética,
à licença dar poéticas
em Seu rudo verso,
que aqueles ledores
bem maldizente lerão
Sua lírica acérrima!
Pode o Poeta,
a mar de poesias,
amar o que le-faria
um legítimo assassino;
que a ficção, por atrevido,
moldará Sua boca
de satírico!
(Luiz Filho de Oliveira. Deleituras Satíricas. 2011.)
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