CRÔNICA DE SEMPRE
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O Poema inconcluso de Zemaria Pinto
Rogel Samuel
No seu poema inconcluso Zemaria Pinto jogo imagens como "estrela de gás", e anatomia do precipício, ave, deus, homem,
poema para escrever no corpo, com a linguagem dos corpos, um nega outro afirma, paixão, flutuar, e grito, havia
um poema a ser escrito, nada nas estrelas do céu do rio Negro, mas arrastado pela paixão, o poema fica inconcluso,
pois ainda será escrito e inscrito no corpo.
Poema inconcluso
Zemaria Pinto
uma estrela de gás refinado
rasgou o céu sobre o Negro
quando você disse sim
um turbilhão de ânsias
coração a coração – invadiu-nos
e a linguagem dos corpos negava
tuas palavras negando o que teu corpo
todo teu corpo – gritava
(conosco
a anatomia ficou louca)
e eu atirei-me ao precipício
antes mesmo de alcançá-lo
como temesse perdê-lo:
não havia espaço para o voo.
mas haveria um poema a ser escrito
– o mergulhar no desconhecido
o flutuar na escuridão
o deixar-se levar pela paixão
sendo ave, homem e deus alguns segundos
esse poema
eu o escreverei
no teu corpo!
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