Dilson Lages Monteiro Terça-feira, 03 de maio de 2016
CRÔNICA DE SEMPRE - ROGEL SAMUEL
Rogel Samuel (atualização diária)
Tamanho da letra A +A

APARIÇÃO DO CLOWN DE L. RUAS 2

 

 


APARIÇÃO DO CLOWN DE L. RUAS

http://aparicaodoclown.blogspot.com.br/

 
que fazes no trapézio longínquo.
palhaço. quem já viu tua face
tua única face?
aquela que não é partida
aquela que não é pintada?
quem já beijou tua boca verdadeira?
as bailarinas beijam a boca mentirosa
a que canta a que ri a que chora
mas ninguém beijará o teu silêncio.
e tuas mãos palhaço e tuas mãos rosa
tuas mãos disfarce que nos enganam e alegram.
a bailarina lhe disse chorando – eu te amo.
ele riu. palmas. a cortina cerrou-se.
e se vestiu de nobre e deu esmola
para encobrir com seda e ouro o adultério.
palhaço. ri teu riso e oferece-nos teu almoço.
dá-nos o ridículo banquete onde comemos
rosas e suspiros e sorrisos.
e deixa-nos sonhar depois e depois chorar
tudo aquilo que não nos revelaste
a flor ainda em botão
não desabrochada não vituperada.
ninguém te vaia palhaço
todos riem somente da face mentirosa
da escandalosa face que nos ofereces
dizendo que é vinho.

todos beberiam porém teu sangue
seiva das árvores água dos rios lama das sarjetas
e comeriam tua carne que não ofereces.
carne de elefante néctar de bonina alma de passarinho.
a estrela pousou – sombra de sonho – em seu ombro
– venho do céu. vi o mundo nascer. sou como tu
eterna.
sou a mais antiga das estrelas de todas as estrelas.
dou-te todo o meu brilho se disseres
porque ris tanto se és tão triste assim.


– ora. vamos dançar.

e saiu para o palco dançando e cantando.
ninguém viu a lágrima que lhe molhou os olhos
ocultos.

palhaço.
flor-de-lis onde bimbalham chocalhos.
inocência e maldade água e sangue
azul e preto
lama e sapo.
ri palhaço que ansiamos por te ver no picadeiro
árvore estranha esquisita flor
não sabemos de que país ou de que planeta.
de onde vens palhaço? quê nos queres dizer?
fala que te espiamos cientista da vida.
tu gargalhas no palco o que choramos na vida.
embora te odiemos te amamos
pois te pareces com o menino que somos
e com o inferno que não deixamos de ser.
poeta de risos e de cabriolas
diametralmente opostas
teus trejeitos são a mais perfeita rima
que já encontrei para os poemas
que não escreverei.
somos crianças palhaço diante de ti
sou criança que não aprendi ainda
o que é o belo e o feio
o pranto e a galhofa.
o que é ser e o que é não ser.
pois tu és homem palhaço tu és homem.
clown desengraçado
 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário


Reload Image








Últimas matérias da coluna

05.04.2016 - CENTENÁRIO DE ULYSSES BITTENCOURT

04.04.2016 - Octávio Ianni

28.03.2016 - CELSO FURTADO

17.03.2016 - A água canta

14.03.2016 - Laranja Mecânica

14.03.2016 - A FOTO DO DIA...

14.03.2016 - Considerações Vãs

13.03.2016 - Casa tomada

12.03.2016 - LUTO

12.03.2016 - QUE IMPORTA O AREAL E A MORTE E A DESVENTURA?

09.03.2016 - A vitória rápida

08.03.2016 - O AMANTE DAS AMAZONAS

02.03.2016 - DOGEN2

01.03.2016 - Dogen

24.02.2016 - MARILENA CHAUÍ - ANÁLISE DA VIOLÊNCIA

Ver mais
Livraria online Dicionário de Escritores Exercícios de criação literária
Entretextos Acadêmico
Rádio Entretextos
Livros online Aúdios

Imagens da Cidade Verde: entrevista com o escritor Ribamar Garcia


Os anos da juventude, entrevista com Venceslau dos Santos


Listar todos
Últimas matérias

01.05.2016 - À BAHIA: POEMA DE GREGÓRIO DE MATOS

poesia

01.05.2016 - O lírico e telúrico em Elmar Carvalho

No caso de Elmar Carvalho, temos uma poesia lírica, elaborada com rara sensibilidade, sem esquecer o drama social.

30.04.2016 - Viagem de Graciliano

Um livro póstumo de Graciliano Ramos, contando sua visita à Checoslováquia e à União Soviética em 1952.

30.04.2016 - Concordância: um substantivo e dois adjetivos

-- Está certa a concordância do substantivo com os adjetivos na frase:...âmbito de competência dos recursos especial e extraordinário...? Desde já agradeço. N.R. Brasília/DF

30.04.2016 - Amadeo e não só

Um dos maiores pintores portugueses

30.04.2016 - Tudo o que você falar, escrever, agir, publicar, volta para sua vida, para sua casa, para seu trabalho

STK - Supremo Tribunal Kármico, não aceita recurso, nem barganha, muito menos negociação. É Matemático.

29.04.2016 - AS AVENTURAS PROSOPOPAICAS DE DIANNA VALENTE - 6

Ao monte distante

29.04.2016 - O TEMPLO DO TEMPO

O TEMPLO DO TEMPO

28.04.2016 - SOMOS TODOS ANÔNIMOS

No decorrer do tempo

28.04.2016 - HISTÓRIAS DE ÉVORA - Capítulo III

Desse modo, os jovens se iniciavam no sexo com as raparigas, como eram designadas as prostitutas. Algumas tinham foro de professoras, e várias gerações de “alunos” passaram pelo seu tirocínio pedagógico.

27.04.2016 - Relendo Bráulio Tavares

Resenha do ensaio

26.04.2016 - O RIO DE JANEIRO NÃO VAI BEM

A cidade maravilhosa, se não tivere

24.04.2016 - A verdade sobre a Guerra do Vietnam

A sociedade tem memória curta, por isso tantos equívocos...

24.04.2016 - Dois novos comentários sobre Histórias de Évora

Com o avanço dos estudos teórico-críticos, cada vez mais se compreende o quanto o leitor é relevante na interpretação de uma obra literária.

23.04.2016 - A ida e a volta em "O burrinho pedrês"

Comemorar, às vezes, implica reler.

ENTRETEXTOS - DÍLSON LAGES MONTEIRO
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Sala 21 (primeiro piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - CEP: 64052-280 Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br