Dilson Lages Monteiro Sábado, 11 de fevereiro de 2012
CRÔNICA DE SEMPRE
Rogel Samuel (atualização diária)
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A RECONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE, 2

A RECONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE, 2

A RECONSTRUÇÃO DA SUBJETIVIDADE, 2

Rogel Samuel

SAMUEL, Rogel. A Reconstrução da Subjetividade no Grande Sertão. RIo de Janeiro, Faculdade de Letras da UFRJ, 1983. Tese de Doutoramento.

Vimos que, na sociedade moderna, há furos, enclausuramentos, veredas em que só se é livre com o reconhecimento do outro, que o sertão só é grande quando absorve a vereda. E que à opulência desenvolvimentista da objetividade se opunham as diferenças, as margens, os pedaços, os detritos, os banidos, o que não e o centro. E que a obra dá um salto qualitativo nesta contradição.
Cada vez mais fomos percebendo que as formas da objetividade estavam a serviço da violência e da dominação. E que se poderia considerar a obra de arte como instrumento de dissolução da violência, abrindo perspectivas livres e recompostas, neste lugar de superação que e o discurso, como espaço utópico.
O texto se divide em três seções: As formas de objetividade, o reconhecimento crítico do impasse e a recuperação da subjetividade. Essa recuperação é confluente, não exclui a objetividade, não faz com a objetividade o que esta fez com ela, embora parta de um primeiro movimento de negação.
As questões secundárias decorrentes da questão central (a reconstrução da subjetividade) são:
a) Verificar qual o espaço e o papel da literatura no mundo da moderna sociedade tecnológica de organização visando a um fim (aqui chamado mundo moderno);
b) Provar que o personagem de Grande Sertão: veredas, Diadorim, e a síntese de um problema dialético, produto das contradições sociais, ao mesmo tempo alegórica vítima das possibilidades de emancipação e de libertação do totalitarismo da ordem tecnológica estabelecida na sociedade;
c) Para isto, estabelecermos uma teoria da dominação e da violência na modernidade;
d) Ver a relação dialética da arte com a dominação social;
e) Chegar à dialética do sertão (à lógica do sertão) que em Grande Sertão: veredas, como resposta ao totalitarismo das certezas tecnocientíficas, em que o indivíduo desaparece em favor da produtividade do todo;
f) Descobrir as relações da violência e da dominação da sociedade moderna com Grande Sertão: veredas, sua atualidade, seu engajamento.

Certamente, essas questões se davam no final dos anos 70.


 

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