CANTA-ARES
|
Bráulio Tavares
O bom do caba bêbo é que tudo é possível. Não tou dizendo que o caba bêbo consegue realizar qualquer coisa. “Fôra, fazê-lo, assaz temerário”. Mas ele acha que pode! Esta iluminação mística o assalta até no mictório do bar, quando tenta achar botões onde só existe um fechicler. Pouco importa! O bêbo sente-se potencializado mentalmente, capaz de ascender píncaros, de sobrevoar nebulosas, de correr para a marca do pênalte e fazer o gol de letra e com cavadinha, aos 48 do 2o. tempo da decisão da Copa. Direis agora: “Tresloucado amigo! Vai dormir que teu mal é sono!...” Não, não é. Engana-se quem pensa que pálpebras pesadonas são curva descendente. É que a cabeça do bêbo está passando-marcha em todo o seu poder de processamento, o uso de CPU está esbarrando no ridículo limite de 100%, ele está alçando voos, seu nome nesse momento é Zunindo Vertiginoso, ele acaba de colapsar em soluções cristalinas problemas milenares como a quadratura do círculo, o sorriso da Gioconda, a morte de Lee Oswald, o teorema de Fermat, o final de “Blow Up”, a constante de Eddington... O caba bêbo acessa vislumbres. Usa cordilheiras como trampolim. Magnifica os quarks do universo até ver neles universos tão mais complexos quanto mais cantábiles. Ninguém o subvenciona, mas ele raciocina, impertérrito, como se cada sinapse levada a cabo lhe rendesse 0,10 centavos como ocorre na TV interativa. Pensem na prodigiosa força geratriz que o Brasil está perdendo, um Itaipu de neurônios trovejando comportas - para a bruma, através da bruma, rumo ao coisíssima nenhuma!... Onde estão as autoridades competentes que não concedem ao bêbo uma Bolsa para simplesmente pensar, e só pensar? Pensam que pensar é fácil? Antes fosse! Pensar implica compromissos, implica em deixar de frequentar festas, deixar de ir a estréias e a lançamentos apenas para ficar puxando aros metálicos de cerveja, escutando aquele espirro gelado, e cumprindo o antiquíssimo ritual que já tinha lugar nos círculos de Stonehenge ou em outros oratórios místicos onde os avatares promoviam luaus esotéricos em que todo mundo tinha direito a pensar durante uma noite inteira, desde que na manhã seguinte não fizesse muita questão de lembrar do que tinha acontecido e retornasse para suas casas tirando a grama do cabelo e dizendo à família que tinha perdido o último ônibus e fora forçado a dormir num estábulo de uma fazenda cuja proprietária, lampião em punho, lhe indicara o proverbial monte de feno dos filmes de faroeste, só que junto a ele encontrava-se outro monte de feno proverbial, o dos romances-sem-capa do século 19, sobre o qual estava deitada uma aldeã com o rosto e os atributos secundários de uma atriz de Hollywood cujo nome será melhor omitir. O mundo do bêbo é assim, compatriotas: uma cebola à qual é adicionada uma nova camada a cada novo pensamento concebido, e onde tudo colapsa numa revelação sobrenatural: não são botões, idiota, é um fechicler. Zzzzzzip! Ufa.
Ivan Teixeira analisa O alienista
A escrita paratática e pós-moderna de Esdras do Nascimento
Escritores brasileiros abordaram amplamente os ciclos econômicos através de sua prosa.
..............................................................................................
Precisamos iniciar uma campanha para que os valiosos livros de Thales Andrade sejam reeditados
LABORATÓRIO DE REDAÇÃO PROF. DÍLSON LAGES
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Loja 21 (segundo piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br