Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 24 de maio de 2013
ANEXOS DA REALIDADE
Miguel Carqueija
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THE LEGEND OF LOBO, de Walt Disney, completa 50 anos

(Miguel Carqueija)

 

Voltamos a falar em cinema de arte: outra preciosidade de Walt Disney


“THE LEGEND OF LOBO”, OBRA-PRIMA DE WALT DISNEY, COMPLETA 50 ANOS


    “The legend of lobo” (A lenda do lobo) é um dos muitos casos de filmes estrangeiros que, no Brasil, foram assassinados pelo título modificado — e, aliás, ninguém jamais denuncia os responsáveis por tais atrocidades, para que seus nomes sejam execrados publicamente. O fato é que, nos cinemas brasileiros, “The legend of lobo” passou como “A montanha do lobo sanguinário”, verdadeira difamação, pois o animal em questão é o herói da história e não o vilão.
    Walt Disney foi um homem maravilhoso e somente ele poderia ter realizado uma película tão bela e comovente como esta, que toca fundo as cordas mais sensíveis do coração. É o tipo do filme que nos leva a ter vergonha de pertencer à raça humana, com seu caráter predatório.
    James Algar, que auxiliou Walt em diversos documentários naturais, é o co-produtor. “The legend of lobo” é ao mesmo tempo drama e documentário e se baseia em histórias do sudoeste norte-americano. Apresenta a curiosidade da ausência de direção (não consta nos créditos) e é acompanhado pelas canções da dupla Richard M. e Robert B. Sherman, que iriam se celebrizar com “Mary Poppins” em 1964, interpretadas por Rex Allen (que também é o narrador) e o conjunto “The sons of the pioneers”, com orquestração de Walter Sheets.  
    A bela fotografia ficou ao cargo de Jack Couffer (também “field producer” ou “produtor de campo” — encarregado de produções externas) e Lloyd Beebe. A história se baseia em texto do escritor Ernest Thompson-Seton, inspirado ao que consta em lendas do sudoeste norte-americano.
    O protagonista é um lobo conhecido como “Lobo” — nome que os criadores de gado locais lhe deram, como chamavam ao seu pai “El Feroz”. Isso pode ser explicado pela influência espanhola na região, que pertencera ao México, pois lobo em inglês é “wolf”. O choque entre os coiotes e os criadores de gado é inevitável já que, como explica o narrador, antes os lobos caçavam os búfalos e dessa caça dependiam para sobreviver. Mas os homens acabaram com os búfalos e trouxeram os bois. Ora, diz a canção, “pelas leis da Natureza, o gado é a sua presa”. Daí a reação de ódio e intolerância dos homens, que aparecem o tempo todo mudos, e só cuidam de dar tiros e colocar armadilhas para os lobos.
    É impossível não se comover com as mortes dos pais de Lobo, caçado como um bandido, e cuja recompensa, nos cartazes, sobre de 100 para 1.000 dólares — e da dramática captura da fêmea, utilizada como isca. “Tudo está contra você”, diz a canção, mesmo assim o lobo fará tudo para resgatar a companheira, movido pelo seu código de lealdade. Assim o filme se encaminha para um dos mais emocionantes desfechos que eu já assisti.
        “The legend of lobo” é um dos melhores filmes de todos os tempos e uma prova a mais da genialidade de Walt Disney.

THE LEGEND OF LOBO — EUA, 1962. Produção de Walt Disney. Co-produção de James Algar. Produção de campo: Jack Couffer. Roteiro: Dwight Hauser e James Algar. História de Ernest Thompson-Seton. Narração de Rex Allen, canções de Richard m. e Robert B. Sherman interpretadas por “The sons of the pioneers”. Fotografia de Jack Couffer e Lloyd Beebe.

 

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