ANEXOS DA REALIDADE
|
Das crônicas da Frota espacial...
CARTA DE UM PILOTO ESPACIAL AO SEU COMANDANTE
Miguel Carqueija
“Ilustríssimo Senhor............, Comandante-em-chefe da Frota Interplanetária nº. 4:
Eu estou escrevendo, Senhor Comandante, em termos bastante pessoais e sob minha completa responsabilidade. Bem sei que é uma atitude ousada de minha parte, e fora das minhas obrigações profissionais; mas prometi a minha mãe que seria um homem honrado, temente a Deus, e assim não precisaria me perturbar diante dos nomes e dos títulos. Não posso, pois, sem grave dano para minha tranquilidade, calar diante de atos contra os quais minha consciência se agita e revolta.
O senhor já está a par dos fatos, ou de boa parte deles. No dia 7 de abril, às 16 e 34, hora de Greenwich, nosso cruzador Estrela Roxa registrou em seu serviço radascópico a presença, ainda distante, de um destroço em órbita. A total ausência de emissão, mais a artificialidade da forma, convenceram nosso técnico em comunicações tratar-se mesmo de um destroço, e pelas dimensões poderia ser uma astronave fantasma. Dirigimos, pois, nosso navio na direção indicada, a uns 36.000 quilômetros da superfície terrestre. Nessa altura eu já não sabia o que dizer, tal a estranheza da visão. Era uma nave alongada, e em sua ponta fina e comprida podíamos distinguir a cabeça horrenda e feroz de um dragão, ou coisa parecida, uma cabeça de olhos arregalados e dentes à mostra. Isso e outros detalhes que íamos descobrindo deixaram-nos embasbacados, mas prosseguimos e afinal abordamos a coisa.
O resto o senhor sabe. Os peritos que depois chamamos atestaram, jogando nisso a sua reputação, que se trata de navio viking, por mais absurdo que pareça. A cauda alongada, a cabeça chifruda de serpente, os escudos acompanhando o casco, soldados a ele por método desconhecido, ou pela própria condição do espaço; o uso de carvalho, pinho, abeto, calafetagem de pelos, tudo isso, mais os detalhes constantes do relatório por mim redigido e assinado, com os testemunhos em anexo do restante da equipagem e dos cientistas, mostra com bastante peso que se trata de barco viking; encontrava-se porém fechado hermeticamente com liga desconhecida. Os corpos descobertos no seu interior estão em perfeito estado de conservação, e assim quase todos os objetos, como lanças, espadas, capacetes etc.
Agora chegou no transporte Alfa-16 o Tenente................., com a ordem de destruir o achado, reduzindo-o a poeira atômica, e a ordem de silêncio absoluto de nossa parte. Estamos à espera dos meios necessários para desintegrar o barco.
E agora, Senhor Comandante, chego ao âmago do problema. Não quero crer que o senhor deu a ordem, apesar da chancela do seu secretário. Tenho para mim que a atitude de negar ou ignorar os fatos desconcertantes, e que contrariam o que geralmente se admite, chegando ao ponto de destruir propositalmente os indícios incômodos, não é, não deve, não pode ser a atitude de um alto oficial da Astronáutica. Envio este ofício, senhor, pelo transporte que trouxe o tenente; escrevo às pressas porque já irão partir. Rogo, pois, que o senhor ouça o meu apelo, e reconsidere, e consinta que o achado chegue ao conhecimento das universidades e depois do público. Aceite as minhas desculpas e protestos da mais alta consideração.
R........................., piloto do Cruzador Espacial Estrela Roxa.”
Ivan Teixeira analisa O alienista
A escrita paratática e pós-moderna de Esdras do Nascimento
..............................................................................................
Os hedonistas geralmente são alvos da crítica pelo apetite ao prazer
Estudo comparativo dos romances A selva, Beiradão e O amante das amazonas
Escritores brasileiros abordaram amplamente os ciclos econômicos através de sua prosa.
LABORATÓRIO DE REDAÇÃO PROF. DÍLSON LAGES
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Loja 21 (segundo piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages[@]uol.com.br