Dilson Lages Monteiro Domingo, 23 de abril de 2017
ANEXOS DA REALIDADE - MIGUEL CARQUEIJA
Miguel Carqueija
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CATARINA DE SIENA

CATARINA DE SIENA

 CATARINA DE SIENA

Miguel Carqueija

 

            Uma das maiores santas da história da Igreja Católica, Catarina de Siena (1347-1380), italiana de Siena, foi uma verdadeira profetiza do século XIV e mesmo tendo vivido poucos anos, deixou importante obra literária — foi uma filósofa escolástica e teóloga — e o Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja em 3 de outubro de 1970. Dentre suas obras, o Diálogo da Providência Divina e quase 400 cartas conservadas. Entretanto Catarina não sabia escrever: ela ditava os seus textos.

            Seu confessor era o Beato Raimundo de Cápua e Catarina exerceu grande influência em seu país e sua época, chegando a pacificar conflitos.

            O grande fato de sua curta e fecunda existência, porém, refere-se a uma grande crise que a Igreja atravessou durante setenta anos, o chamado Cativeiro de Avinhão. Foi o exílio do papa em Avinhão, na França, por consequência de injunções políticas que tornaram o Sumo Pontífice quase num prisioneiro da monarquia francesa. Enquanto isso o Vaticano caía no abandono.

            Quado resolveu agir, num caso que envolvia o destino do povo católico, Catarina dirigiu-se a Avinhão e falou diretamente com Gregório XI, o papa então vigente, e a quem ela costumava escrever. Era a santa uma jovem mulher de aproximadamente trinta anos, membro da Ordem Terceira dos Pregadores, muito prestigiada na Itália pelos seus esforços em prol dos pobres e por sua segura doutrina. Agora, quiçá sem dar conta, ela iria mostrar ao mundo o poder de uma mulher decidida, mesmo em circunstâncias terríveis.

            Deus, em seus misteriosos desígnios, permitira um longo período de angústia para a sua Igreja. O constrangedor cerceamento do Papado em Avinhão começara bem antes de Santa Catarina nascer; a Igreja mergulhava num caos sem precedentes e o Papa Gregório não se dispunha a reagir, pois nem todos os pontífices são pessoas de caráter forte. Ao Rei da França era conveniente a sua presença...

            Não percamos de vista que lá havia a corte real, com toda a carga de luxúria e pecado que costumava acompanhar esses ambientes.

            Catarina de Siena era uma profetisa, isto é, no sentido mais lato, uma pessoa que falava em nome de Deus. E o que ela disse na ocasião a Gregório XI foi terrível:

            “Santidade, volte para Roma. Aqui eu estou sentindo o odor fétido do inferno.”

            Sabe-se que Gregório XI ainda hesitou, indeciso sobre como deveria agir, o que deveria fazer. E Catarina então falou uma coisa que só uma santa ousaria dizer ao papa:

            “Seja homem!”

            A História atesta que Gregório XI arrumou os seus pertences e retornou a Roma.

            O longo cativeiro dos papas em Avinhão chegara ao fim, graças à decidida ação desta mulher extraordinária.

 

Rio de Janeiro, 8 de março de 2017.

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