| A COMPANHIA DOS POETAS |
Clandestinos serão sempre os anjos de Iahwé
Enchem os primeiros autocarros para o centro
lêem o jornal de distribuição gratuita
à espera que de novo o mar se rasgue
num quarto sub-alugado da periferia
onde em vez de Corte Inglês e Continente os supermercados
se chamam Lidl ou Discount
É fácil detectar seu rosto transparente
pois pertence-lhes a solidão como um zumbido
imerso, inactual, impreciso
semelhante ao dos bosques vedados onde já não se colhe
as castanhas, a lenha morta
Nas grandes praças da Europa por onde quer que se vá
o mesmo rosto detrás dos vidros policiais
uma espécie de fantasma
indivisível, muito para lá dos confins
embora o êxodo exija agora estrita documentação
Todos os textos conspiram contra a materialidade do corpo
por isso há quem acredite na sua ressurreição
Clandestinos in A Estrada Branca - Assírio e Alvim
(colocado por ana assunção em multiply)
O livro “Dom Casmurro” (1899) conta a história de Bento Santiago, mais conhecido como Dom Casmurro
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