Dilson Lages Monteiro Sexta-feira, 30 de julho de 2010
A COMPANHIA DOS POETAS  
Tamanho da letra A +A

Jacques prévert, -1900-1077

Jacques prévert, -1900-1077
Jacques prévert, -1900-1077 - nascido neste dia (original+tradução)‏

 foto de R. Doisneau

 

BARBARA

Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu a tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu a tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîmé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.

Jacques Prévert

(1900-1977)

 
 

BÁRBARA

Vê se te lembras Bárbara
Chovia sem parar em Brest nesse dia
E tu caminhavas sorridente
Resplandecente radiante toda molhada
Debaixo da chuva
Vê se te lembras Bárbara
Chovia sem parar em Brest
E cruzei-me contigo na Rua de Siam
Tu sorrias
E eu sorria também
Vê se te lembras Bárbara
Tu que eu não conhecia
Tu que não me conhecias
Vê se te lembras
Vê lá se te lembras desse dia
Não esqueças
Um homem abrigava-se debaixo de um portal
E gritou o teu nome
Bárbara
E tu correste para ele debaixo da chuva
Toda molhada radiante resplandecente
E lançaste-te nos seus braços
Vê se te lembras disto Bárbara
E não me queiras mal por te tratar por tu
Trato por tu todos os que amo
Mesmo que só os tenha visto uma única vez
Trato por tu todos os que se amam
Mesmo que não os conheça
Vê se te lembras Bárbara
Não esqueças
Aquela chuva simples e feliz
No teu rosto feliz
Nesta cidade feliz
Esta chuva no mar
No arsenal
No barco de Ouessant
Oh Bárbara
Que estupidez a guerra
Que será feito de ti
Sob esta chuva de ferro
De fogo de aço de sangue
E aquele que te apertava nos braços
Amorosamente
Terá morrido desaparecido ou viverá ainda
Oh Bárbara
Chove sem parar em Brest
Como antes chovia
Mas não é já a mesma coisa e tudo está destruído
É uma chuva de luto terrível e desolada
Não é já sequer o vendaval
De ferro de aço de sangue
Mas simplesmente umas nuvens
Que rebentam como cães
Esses cães que desaparecem
À tona da água em Brest
E vã apodrecer ao longe
Ao longe muito longe de Brest
De que nada mais resta.

 

 

Trad. de Zé Lima

 

Veja também Les feuilles mortes, uma das mais belas canções de amor, des empre -cuja letra é de Jacques Prévert - cantada, em francês ou inglês,(The Autumn Leaves) por diversos artistas que se encobtram no youtube

Deixo a referência de só um delesl Mas veja/oiça também outras que lá estão.Esta é a versão de Yves Montand.

 

http://www.youtube.com/watch?v=JWfsp8kwJto 

Compartilhar em redes sociais

Comentários (0)

Deixe o seu comentário

Últimas matérias da coluna

28.07.2010 - Cesário Verde

02.07.2010 - Antero de Quental

24.06.2010 - Entrevista com Amélia Pais

20.06.2010 - Amelia Pais

06.06.2010 - Edgar Alan Poe

03.06.2010 - Cesare Pavese

31.05.2010 - Lord Byron

29.05.2010 - Philip Larkin

12.05.2010 - FALECIDO HOJE: FAUSTO RORIGUES DO VALLE (BRASIL,1930-2010)‏

02.05.2010 - O imortal

26.04.2010 - Ítalo Calvino

17.04.2010 - Pensar

15.04.2010 - Luís Delfino

08.04.2010 - Casimiro de Brito

03.04.2010 - Peyo Yávorov

Ver mais
Dicionário de Escritores Entretextos Editora On-line

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

Últimas matérias

30.07.2010 - O Piauí não é mais uma província literária

Me permita o leitor

29.07.2010 - Marat/Sade e a tragédia da Revolução

Depois da famosa peça teatral de Peter Weiss, veio o filme de Peter Brook, direção, e Adrian Mitchell, roteiro não-original, lançado em 1967, com o título no Brasil traduzido para Perseguição e Assassinato de Jean-Paul Marat

29.07.2010 - Lima e os livros

— Eu não passava de um anarfa...

29.07.2010 - A PAZ

Nunca é demais falar sobre...

28.07.2010 - 6.5 - O NARRADOR DE A HORA E VEZ DE AUGUSTO MATRAGA: DEPOIS DA QUEDA

NEUZA MACHADO - Depois da queda, a “ressurreição” do personagem. As imposições do meio social mudaram? Não. Mudou a estratégia de vida do personagem, mudou a estratégia de narrativa, mas estas ainda se encontram no plano da diegese e da classe social.

28.07.2010 - Matei um homem para assim salvar cem mil

A inteligente autodefesa de Charlotte Corday, que com uma punhalada liquidou Marat, o Amigo do Povo, não foi suficiente para livrá-la da guilhotina

28.07.2010 - O SONHO DE LAURO: A FERROVIA, O RIO E O PORTO

.........................................................................................................

28.07.2010 - Cesário Verde

E como é necessárioque eu me afoite

28.07.2010 - Onde fica beleléu?

A palavra é do banto, e era empregada pelos escravos negros para dizer que alguém tinha ido para a região dos mortos.

28.07.2010 - Versão impressa ou digital dos jornais?

Economia e praticidade determinaram a minha escolha pela leitura digital dos jornais, quando a rotina semanal é estabelecida.

28.07.2010 - Dom Casmurro, de Machado de Assis

O livro “Dom Casmurro” (1899) conta a história de Bento Santiago, mais conhecido como Dom Casmurro

28.07.2010 - Gravam da Internet as margens-páginas contra um povo herodes diverso brado retumbante

Privado o público mais uma vez da dignidade

28.07.2010 - “Ensaio de visibilidade para os olhos de um Argos”

Roteiro da Poesia Brasileira - anos 2000

27.07.2010 - Tomás Eloy Martínez, do NYT, escreve sobre o pensador búlgaro-britânico Elias Canetti

Canetti recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1981

27.07.2010 - Um poema de James Montgomery (1771-1854)

Friend after fried departs

Listar mais

LABORATÓRIO DE REDAÇÃO PROF. DÍLSON LAGES
Baloon Center, Av. Pedro Almeida nº 60, Loja 21 (segundo piso) - São Cristóvão - Teresina - Piauí - Fone (86) 3233 9444
e-mail: dilsonlages@uol.com.br