| A COMPANHIA DOS POETAS |
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là
Et tu marchais souriante
Épanouie ravie ruisselante
Sous la pluie
Rappelle-toi Barbara
Il pleuvait sans cesse sur Brest
Et je t'ai croisée rue de Siam
Tu souriais
Et moi je souriais de même
Rappelle-toi Barbara
Toi que je ne connaissais pas
Toi qui ne me connaissais pas
Rappelle-toi
Rappelle-toi quand même ce jour-là
N'oublie pas
Un homme sous un porche s'abritait
Et il a crié ton nom
Barbara
Et tu as couru vers lui sous la pluie
Ruisselante ravie épanouie
Et tu t'es jetée dans ses bras
Rappelle-toi cela Barbara
Et ne m'en veux pas si je te tutoie
Je dis tu a tous ceux que j'aime
Même si je ne les ai vus qu'une seule fois
Je dis tu a tous ceux qui s'aiment
Même si je ne les connais pas
Rappelle-toi Barbara
N'oublie pas
Cette pluie sage et heureuse
Sur ton visage heureux
Sur cette ville heureuse
Cette pluie sur la mer
Sur l'arsenal
Sur le bateau d'Ouessant
Oh Barbara
Quelle connerie la guerre
Qu'es-tu devenue maintenant
Sous cette pluie de fer
De feu d'acier de sang
Et celui qui te serrait dans ses bras
Amoureusement
Est-il mort disparu ou bien encore vivant
Oh Barbara
Il pleut sans cesse sur Brest
Comme il pleuvait avant
Mais ce n'est plus pareil et tout est abîmé
C'est une pluie de deuil terrible et désolée
Ce n'est même plus l'orage
De fer d'acier de sang
Tout simplement des nuages
Qui crèvent comme des chiens
Des chiens qui disparaissent
Au fil de l'eau sur Brest
Et vont pourrir au loin
Au loin très loin de Brest
Dont il ne reste rien.
Jacques Prévert
(1900-1977)
Vê se te lembras Bárbara
Chovia sem parar em Brest nesse dia
E tu caminhavas sorridente
Resplandecente radiante toda molhada
Debaixo da chuva
Vê se te lembras Bárbara
Chovia sem parar em Brest
E cruzei-me contigo na Rua de Siam
Tu sorrias
E eu sorria também
Vê se te lembras Bárbara
Tu que eu não conhecia
Tu que não me conhecias
Vê se te lembras
Vê lá se te lembras desse dia
Não esqueças
Um homem abrigava-se debaixo de um portal
E gritou o teu nome
Bárbara
E tu correste para ele debaixo da chuva
Toda molhada radiante resplandecente
E lançaste-te nos seus braços
Vê se te lembras disto Bárbara
E não me queiras mal por te tratar por tu
Trato por tu todos os que amo
Mesmo que só os tenha visto uma única vez
Trato por tu todos os que se amam
Mesmo que não os conheça
Vê se te lembras Bárbara
Não esqueças
Aquela chuva simples e feliz
No teu rosto feliz
Nesta cidade feliz
Esta chuva no mar
No arsenal
No barco de Ouessant
Oh Bárbara
Que estupidez a guerra
Que será feito de ti
Sob esta chuva de ferro
De fogo de aço de sangue
E aquele que te apertava nos braços
Amorosamente
Terá morrido desaparecido ou viverá ainda
Oh Bárbara
Chove sem parar em Brest
Como antes chovia
Mas não é já a mesma coisa e tudo está destruído
É uma chuva de luto terrível e desolada
Não é já sequer o vendaval
De ferro de aço de sangue
Mas simplesmente umas nuvens
Que rebentam como cães
Esses cães que desaparecem
À tona da água em Brest
E vã apodrecer ao longe
Ao longe muito longe de Brest
De que nada mais resta.
Trad. de Zé Lima
Veja também Les feuilles mortes, uma das mais belas canções de amor, des empre -cuja letra é de Jacques Prévert - cantada, em francês ou inglês,(The Autumn Leaves) por diversos artistas que se encobtram no youtube
Deixo a referência de só um delesl Mas veja/oiça também outras que lá estão.Esta é a versão de Yves Montand.
- Adriana Falcão
- Humberto de Campos
- Licurgo José Henrique de Paiva
- Adélia Prado
- José Expedito de Carvalho Rego
O livro “Dom Casmurro” (1899) conta a história de Bento Santiago, mais conhecido como Dom Casmurro
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